Tratamentos
1 - Novos tratamentos em oncologia
Oncologistas clínicos e pesquisadores estão constantemente em busca de novos caminhos para aumentar a eficácia e diminuir a toxicidade dos tratamentos já conhecidos. Todo o avanço da oncologia baseia-se nos resultados de estudos clínicos - a pesquisa clínica. Isto inclui novas técnicas cirúrgicas, novos métodos de radioterapia e o desenvolvimento de novos agentes quimioterápicos. Tanto a cirurgia quanto a radioterapia são indicadas para o controle local ou locorregional.
O tratamento oncológico ideal cada vez mais se torna multidisciplinar. Para aumentar o arsenal terapêutico, uma nova classe de agentes vem se desenvolvendo: a terapia-alvo. Este tem sido um novo e excitante campo de pesquisa em rápido crescimento. Falaremos um pouco sobre o que é a terapia-alvo e alguns agentes em específico que já encontram-se em uso ou aguardando o resultado de estudos clínicos para serem usados na prática clínica.
2 - O que é terapia-alvo?
Terapia-alvo é um termo geral que se refere a medicações ou drogas que têm fogo em local específico (alvo) no crescimento e desenvolvimento de células tumorais. Por agir em locais alvo importantes, estes agentes destroem as células tumorais diretamente. Os alvos (ou locais de ação específicos) são tipicamente moléculas ou pequenas partículas presentes nas células ou no espaço que as circunda que são conhecidos por desempenhar um papel importante na formação e no desenvolvimento do câncer.
3 - Classes da terapia alvo
Há várias classes de terapias-alvo:
1) Inibidores do receptor da tirosina Kinase:
Ex: Herceptin, Iressa, Tarceva e Erbitux
2) Inibidores da Angiogênese:
Ex: Avastin
3) Inibidores do Proteossoma:
Ex: Velcade
4) Imunoterapia-alvo:
Ex: Mabthera
4 - Inibidores da Tirosina Kinase
O receptor da tirosina Kinase é uma estrutura molecular ou um ponto na superfície da célula que se liga a substâncias como hormônios, antígenos, drogas ou neurotransmissores. Quando ocorre a ligação com uma dessas substâncias no receptor de tirosina Kinase é desencadeada uma série de reações químicas que se propagam para o interior da célula e podem resultar em multiplicação celular, morte, amadurecimento e/ou migração celular. Nas células tumorais todas essas reações são importantes para o crescimento e disseminação do tumor. Bloqueando o receptor da tirosina Kinase, poderemos evitar essa reação química e diminuir as chances de sobrevivência do tumor.
Há vários tipos de receptores de tirosina Kinase no corpo humano. Os mais estudados em oncologia são os da família HER (human epidermal receptor): HER 1 (também chamado de EGFR - epidermal growth factor receptor), HER 2 (ErbB2 ou HER2/neu), HER3 (ErbB3) e HER4 (ErbB4).
INIBIDORES DO EGFR - HER1:
Neste grupo estão as seguintes medicações:
Iressa (geftinib) - estudado principalmente para o tratamento do câncer de pulmão.
Tarceva (erlotinib) - estudado principalmente para o tratamento do câncer de pulmão e já disponível comercialmente.
Erbitux (cetuximab) - estudado principalmente para o tratamento do câncer de cabeça e pescoço e de tumores colorretais.
INIBIDORES DO HER2/neu inhibitors:
Herceptin (Transtuzumab) - estudado e aprovado para o tratamento do câncer de mama que apresenta HER2 positivo.
INIBIDORES DO HER2 E HER1:
Lapatinib - estudado para o tratamento do câncer de mama.
5 - Modificadores da resposta biológica
Medicamentos que ajudam o sistema imunológico do organismo a lutar contra o câncer:
1- Interferon
2- Interleucina
3- Fatores de estimulação mielóide e linfóide (Eritropoetina, Filgratima).
4- Imunomodulação não-específica (Talidomida, Lenalidomida).
1 - Modalidades de tratamento anti-neoplásico
Trata-se de todo tipo de tratamento usado para tratar os pacientes portadores de câncer (neoplasia maligna). Existem os tratamentos locais (cirurgia e radioterapia) e os tratamentos sistêmicos (quimioterapia, hormonioterapia, imunoterapia e terapias alvo). Podem ser utilizados de forma isolada ou combinada, dependendo do tipo de câncer e do estadiamento do mesmo (onde está localizado).
Cirurgia
É uma operação para remover o tumor.
Radioterapia
Irradiação da área do corpo onde se localiza o tumor. É realizada através de raios ionizantes que bloqueiam a divisão celular e conseqüente morte das células tumorais.
Quimioterapia
É a utilização de medicamentos (compostos químicos) para o tratamento do câncer. Ao contrário da cirurgia e da radioterapia, que são tratamentos locais, a quimioterapia é um tratamento sistêmico (age em todo o organismo). Portanto, pode atingir células de câncer que tenham se espalhado para outras partes do corpo. Existem mais de 100 tipos desta medicação. Elas variam na sua composição química; na forma, seqüência e intervalos em que são administradas; nos seus efeitos adversos (toxicidade) e na eficácia em tratar diferentes formas de câncer.
Hormonioterapia
Hormônios são substâncias produzidas por glândulas. Pela corrente sanguínea chegam a outras partes do corpo para exercer suas funções.
A terapia hormonal altera a ação ou produção de hormônios masculinos ou femininos.
Usada para diminuir o crescimento de alguns tipos câncer de mama, próstata e endométrio (que normalmente crescem em resposta a níveis hormonais sanguíneos).
Agem impedindo o organismo de produzir o hormônio ou impedindo a célula de câncer de usá-lo. Podem ser utilizadas as vias oral e injetável.
Imunoterapia
Também conhecida como terapia biológica, é o tipo de tratamento que utiliza parte do sistema imune para lutar contra doenças, incluindo o câncer. Existem dois tipos de imunoterapia:
Imunoterapia ativa: estimula o próprio sistema imune do organismo a lutar contra o câncer). Exemplo são as vacinas, como a do papiloma vírus, que pode prevenir o câncer do colo uterino.
Imunoterapia passiva: utiliza componentes imunes, criados no laboratório, como os anticorpos monoclonais.
Anticorpos monoclonais
Também chamados de terapia alvo. É uma medicação criada no laboratório, para agir especificamente contra determinado alvo na célula do câncer (por exemplo, alguma enzima ou proteína presente apenas nas células cancerígenas - que fazem com que ela se multiplique de forma desordenada e/ou não morra).
Não agem na célula normal, por este motivo, é considerada uma "terapia inteligente". Agindo apenas nas células cancerígenas, minimiza os efeitos colaterais do tratamento, fornecendo qualidade de vida ao paciente.
Existem anticorpos monoclonais para tratar vários tipos de câncer. Exemplos são rituximab (para linfoma não hodgkin), trastuzumab (para câncer de mama), bevacizumab (para câncer colo-retal, pulmão e mama) e cetuximab (para câncer colo-retal e cabeça/pescoço).
Com o avanço obtido através da pesquisa clínica, novos anticorpos monoclonais estão surgindo, proporcionando esta modalidade de tratamento para diversos tipos de neoplasias malignas.
Exemplo: trastuzumab (Herceptin) é um anticorpo monoclonal que bloqueia especificamente a ação do gene HER-2. A superprodução do HER- 2 contribui para o crescimento desordenado da célula (que é uma característica dos tumores malignos). A cada cinco mulheres portadoras de câncer de mama, estima-se que um é HER-2 positiva.
Bifosfonatos
Alguns tipos de câncer podem envolver os ossos.
Esta medicação pode ajudar, em alguns tipos específicos de câncer, a:
- fortalecer os ossos
- tratar a dor óssea
- evitar fraturas
- remover o excesso de cálcio do sangue.
Exemplos são o pamidronato e zoledronato.
2 - Finalidades da terapia antineoplásica
- Curativa: busca-se o controle completo do tumor (cura).
- Adjuvante: se segue a cirurgia curativa, tendo objetivo de eliminar células malignas residuais locais ou circulantes. Estas células malignas, embora não sejam perceptíveis clinicamente, podem ser responsáveis pela volta do tumor.
- Neoadjuvante: é a aplicação de antineoplásicos antes da cirurgia ou radioterapia. Visa redução parcial do tumor para "facilitar" o tratamento local. Além disso, possibilita a avaliação da resposta tumoral às drogas empregadas.
- Paliativa: tem por finalidade melhorar a qualidade de vida e/ou aumentar a sobrevida dos pacientes.
3 - Vias de administração da quimioterapia
- Via oral: são recebidos pela boca em forma de comprimido.
- Via endovenosa: a medicação é administrada em veia periférica (braço) ou veia central através de um dispositivo chamado de cateter totalmente implantado.
- Via Intramuscular : a medicação é administrada no músculo.
- Via Subcutânea : a medicação é administrada no tecido subcutâneo.
- Tópico: na forma de loções ou gel, são aplicados na superfície da pele (pouco utilizado).
- Intratecal: a medicação é aplicada no líquido da espinha.
- Intravesical : A medicação é instilada para o interior da bexiga através do cateterismo vesical (sonda).
4 - Ciclos da quimioterapia
Todo o período do tratamento quimioterápico constitui o curso do tratamento. Este dura cerca de 3 a 6 meses. Durante o curso, haverão cerca de 4 a 8 ciclos de tratamento. O ciclo inclui o (s) momento (s) de aplicação da quimioterapia mais o período de repouso antes do próximo tratamento.
O número total de ciclos e o intervalo entre os mesmos dependem de cada protocolo quimioterápico. Este intervalo corresponde ao tempo necessário para recuperação da medula óssea e da mucosa do tubo digestivo. Os ciclos podem ser a cada 21 dias, 28 dias, semanais ou quinzenais, sendo que dependerá do protocolo utilizado.
5 - Protocolos de terapia antineoplásica
Protocolos de quimioterapia descrevem os objetivos, modalidades, complicações e resultados esperados do tratamento, servindo como referência para prescrição e seguimento do paciente.
Os protocolos geralmente são definidos por siglas, como por exemplo, FAC (Fluorouracil + Adriamicina + Ciclofosfamida), que é um protocolo utilizado para câncer de mama.
Protocolos mais comuns:
- Câncer de Mama:
FAC - 6 ciclos (Fluorouracil + Doxorrubicina + Ciclofosfamida) a cada 21 dias
AC - 4 ciclos (Doxorrubicina + Ciclofosfamida) + TAX / 4 ciclos (Paclitaxel) a cada 21 dias
TXT (Docetaxel) - 6 ciclos a cada 21 dias
- Câncer de Pulmão
TAX + CARB (Paclitaxel + Carboplatina) - 6 ciclos a cada 21 dias
CDDP + VNB (Cisplatina + Vinorelbine) - 6 ciclos a cada 21 dias
CDDP + GEN (Cisplatina + Gencitabina) - 6 ciclos a cada 21 dias D1 + D8 (no D8 só GEN)
CDDP + VP-16 (Cisplatina + Etoposide) - 6 ciclos a cada 21 dias D1 à D3 (no D2 e D3 só Etoposide)
- Câncer de Cólon
5-FU + LV (Fluorouracil + Leucovorin) - 6 ciclos a cada 28 dias D1 à D5
FOLFOX 4 (Oxaliplatina + Leucovorin + Fluorouracil) - 6 ciclos a cada 15 dias D1 + D2
FOLFIRI (Irinotecan + Leucovorin + Fluorouracil) - 6 ciclos a cada 15 dias D1 + D2
6 - Efeitos colaterais (toxicidade)
Os efeitos colaterais são reações que ocorrem no organismo em resposta à ação dos medicamentos nas células. As células mais afetadas são as da medula óssea, mucosa gastrointestinal e folículo piloso (cabelo).
As reações mais freqüentes são:
- náuseas, vômitos, mucosite (feridas na boca), diarréia, alopécia (queda temporária do cabelo), cansaço, alteração do apetite, febre, anemia, diminuição das defesas e alteração na sensibilidade das mãos e pés.
7 - Exames de sangue
Exames de sangue para a quimioterapia
Os exames de sangue mais freqüentes são: Hemograma com plaquetas, uréia, creatinina, Função hepática (TGO, TGP). Estes exames podem variar de acordo com o protocolo.
O que acontece se o exame de sangue "não está bom"?
Às vezes é suficiente aguardar alguns dias para que a contagem das células sanguíneas se recuperem espontaneamente. Porém existem casos em que é necessário utilizar medicamentos que ajudem a recuperar a contagem destas células. Células brancas (Filgrastima - recupera as defesas do organismo) e células vermelhas (Eritropoetina - ajuda na recuperar da anemia).
Por Rosemarie Stahlschmidt
Disponibilizada pela CliniOnco desde o início de 2006, a Radioterapia é uma especialidade com mais de 100 anos de existência, apesar de ainda despertar muitas dúvidas nos pacientes que precisam usá-la como parte de seu tratamento. Dessa forma, a melhor forma de tranqüiliza-los e motivá-los a aderir ao procedimento é fornecer informações sobre esta técnica na tentativa de desmistifica-la.
A Radioterapia utiliza radiação eletromagnética (ionizante como os Raios-X) para tratar doenças malignas e benignas e é produzida por equipamentos especificamente desenvolvidos para uso médico, e com total segurança ao paciente. Durante a história dos tratamentos radioterápicos, utilizaram-se fontes radioativas como forma de obtenção da radiação, sendo que algumas máquinas continuam a ser utilizadas nos dias atuais. Porém a tendência é de que os serviços de Radioterapia trabalhem com máquinas chamadas Aceleradores Lineares, que produzem radiação através de corrente elétrica e que, dia após dia, agregam mais tecnologia em seus componentes.
A Radioterapia pode ser dividida em Teleterapia, que significa tratamento à distância, ou Braquiterapia, tratamento próximo, em contato. Para cada doença específica existe a forma adequada de se prescrever o tratamento e esta decisão deve ser feita pelo médico especialista desta área, isto é, o radioterapeuta.
A Quimioterapia e a Radioterapia não são tratamentos que se sobrepõem, mas sim que se completam. A Quimioterapia visa colocar todas as células do organismo em contato com determinado medicamento, tratando o paciente sistemicamente. Já a Radioterapia visa tratar um local específico, não atingindo áreas fora das programadas com segurança, não representando, portanto, prejuízo a outros órgãos sadios. Os para-efeitos da Radioterapia, por esta razão, se darão conforme a região exposta ao tratamento e para cada local este sintoma será diferente. Perguntar ao radioterapeuta quais os sintomas que poderão acontecer é fundamental para o bom andamento da Radioterapia.
A Radioterapia não dói, não injeta qualquer tipo de medicação, é rápida e, por si só, não há necessidade de internação hospitalar. O tratamento é feito diariamente no intuito de liberar a dose necessária para cada doença, sem ocasionar efeitos colaterais que possam trazer riscos ao paciente. Os tratamentos radioterápicos são liberados por um período que pode variar de dias a semanas, conforme a necessidade de cada paciente. A Radioterapia é rápida e segura e o paciente fica exposto à radiação por alguns segundos apenas. A área a ser tratada é definida através de 'campos' de tratamento desenhados pelo radioterapeuta na pele do paciente ou, em alguns casos, em moldes confeccionados individualmente e que são armazenados junto à máquina durante o período do tratamento.
O controle de qualidade dos equipamentos e a qualificação dos profissionais no nosso meio é um fator que traz tranqüilidade aos pacientes, pois a tecnologia que temos à disposição equipara-se à mundialmente recomendada.
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