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26-09-2011

Debate republicano nos EUA desperta medo da vacina contra HPV

      Na semana passada, durante um debate entre os candidatos presidenciais republicanos e posteriormente em entrevistas, a deputada Michele Bachmann disse que a vacina para prevenir o câncer cervical é "perigosa". Peritos médicos reagiram a esse comentário rapidamente. Eles enfatizaram que as afirmações de Michele são falsas e enfatizaram que a vacina é segura e pode salvar vidas. Bachmann logo se defendeu, reconhecendo que ela não é médica ou cientista.

      Apesar disso, os danos à saúde pública podem já ter sido feitos. Quando políticos ou celebridades levantam suspeitas sobre vacinas, mesmo sendo um alarme falso, existe uma queda abrupta nas taxas de vacinação.

      "Esse tipo de acontecimento sempre nos atrasa cerca de três anos, o que acaba sendo um gasto que não podemos ter", disse o dr. Rodney E. Willoughby, professor de pediatria da Faculdade de Medicina de Wisconsin e membro do Comitê de Doenças Infecciosas da Academia Americana de Pediatria. A academia favorece o uso da vacina, assim como outros grupos de médicos e o Centros de Controle e Prevenção de Doenças.

     A vacina, recomendada pelos grupos de médicos para pré-adolescentes de 11 a 12 anos de idade, protege contra o papiloma vírus humano, o HPV, uma infecção sexualmente transmissível que pode causar câncer. O uso da vacina estava preocupantemente baixo, mesmo antes do escândalo de Bachmann, dizem as autoridades. Isso se deve, em parte, à recente onda de medo em relação a vacinas em geral e, em parte, porque alguns pais sentem que, ao dar a vacina, eles estariam aceitando ou até mesmo tolerando a ideia de que suas filhas em breve começarão a ter relações sexuais.

      Alegações de que as vacinas podem causar autismo assustou alguns pais, apesar da questão ter sido estudada repetidamente e não haver nenhuma evidência dessa ligação - a pesquisa que promoveu essa ideia se provou subsequentemente falsa.

    De fato, um relatório publicado no mês passado pelo Instituto de Medicina, que assessora o governo, descobriu que a vacina contra o HPV é segura.

     Foram encontradas provas "fortes e geralmente sugestivas" - embora não conclusivas - de que a vacina pode causar reações alérgicas graves. Mas tais reações têm sido raras.

      Historicamente, segundo Willoughby, tais sustos fazem com que as taxas de vacinação caiam ao longo de três ou quatro anos e levam a epidemias de doenças que anteriormente estavam sob controle, como o sarampo e a coqueluche. Casos de sarampo nos Estados Unidos chegaram a seu maior número nos últimos 15 anos, com mais de cem casos, a maioria em cidadãos que nunca foram vacinados.

Fonte: Último Segundo

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