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02-08-2010

Falta de conhecimento prejudica tratamento de linfoma

Apesar da gravidade da doença, hematologistas apresentam boas novidades a quem sofre com esse tipo de câncer

Apesar de estar entre os cinco tipos mais comuns de câncer, o linfoma ainda é pouco conhecido, o que aumenta seu índice de fatalidade. De acordo com Rodrigo Bendlin, hematologista do Centro de Oncologia do Paraná, o fato da doença não atacar um membro específico do corpo e contar com muitos subtipos acaba por dificultar sua detecção.

O sistema linfático é responsável por distribuir e regular os fluídos corpóreos entre os tecidos do corpo. A parte mais ativa desse sistema pode ser dividida, basicamente, entre vasos e linfonodos, pequenos órgãos que filtram os líquidos e produzem anticorpos. E é nos linfonodos que o linfoma aparece, geralmente.

Bendlin esclarece que o câncer causa um aumento não-doloroso desses órgãos, formando ínguas proeminentes que podem ser externas ou internas. Esses "caroços" costumam aparecer no pescoço, axilar e virilhas. Internamente, a incidência é maior no tórax e no abdômen.

Subtipos da doença

Apesar de ser relativamente pouco conhecido, o linfoma possui mais de 20 subcategorias, mais ou menos perigosas. De modo geral, estas subcategorias podem ser enquadradas em dois grandes grupos: os linfomas de Hodgkin e os Não-Hodgkin. Os de Hodgkin são caracterizados por uma célula específica, chamada célula de Reed-Sternberg. Já os linfomas Não-Hodgkin são mais graves, têm alto grau de malignidade e abrangem as outras categorias da doença. De acordo com a hematologista e oncologista pediatra Edna Carboni, esse é o tipo de apresenta crescimento mais acelerado.

De todas as subcategorias, o tipo mais perigoso é o linfoma de Burkitt. Como explica o médico, esse é um tipo de linfoma Não-Hodgkin que tem crescimento rápido e agressivo, chegando a duplicar de tamanho em 24 horas. Mais comum entre crianças, o subtipo foi detectado em 1958, com maior presença na África. Países emergentes, por sinal, são os locais que contam com maior incidência do linfoma de Hodgkin. A pediatra esclarece que a doença ataca majoritariamente crianças e adolescentes, de cinco a quinze anos, do sexo masculino.

Tratamentos

Apesar da gravidade da doença, os hematologistas apresentam boas novidades a quem sofre com linfoma. Segundo o especialista Bendlin, a expectativa de vida dos pacientes é de mais de 10 anos e os novos tratamentos têm entusiasmado profissionais da área. "Novas drogas estão surgindo, melhorando a eficácia da quimioterapia", afirma o médico. O especialista ainda esclarece que, apesar de alguns tipos da doença serem incuráveis, outros têm até 95% de chances de recuperação. De modo geral, diz Bendlin, o tratamento é bem tolerado.

No caso das crianças, Edna Carboni afirma que o tratamento com elas é mais fácil do que nos adultos. Além disso, avanços e descobertas de novos meios de ação estão mudando a maneira de tratar os linfomas. A utilização de anticorpos manipulados é somente uma dessas novas maneiras, e se une à quimioterapia e à radioterapia na hora de combater o câncer.

Apesar dos avanços, entretanto, a doença ainda deve ser levada à sério e com cuidado. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que o número de casos de linfoma Não-Hodgkin duplicou nos últimos 25 anos, especialmente entre a população idosa. A evolução dos tratamentos, desse modo, não diminui o perigo de uma fatalidade causada pela doença.

Fonte: Abril.com.br

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