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04-05-2010

Autocoleta e consultório móveis podem ser alternativas para ampliar cobertura do rastreamento do câncer do colo do útero no Brasil

A autocoleta de material vaginal e o envio dessa amostra pelo correio para análise num centro médico pode ser um caminho para aumentar a cobertura do rastreamento da infecção pelo HPV e das lesões precursoras do câncer do colo do útero. Essa foi uma das propostas apresentadas no primeiro dia de discussões do Simpósio Internacional de HPV promovido, no Rio, pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceira com o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

A proposta, de acordo com a médica Patti Gravitt, do Jonhs Hopkins Hospital (EUA), ampliaria a adesão de mulheres já na menopausa e moradoras de áreas rurais para as quais o exame convencional no médico ainda causa constrangimento ou é de difícil acesso. Gravitt demonstrou que aumentar quantidade de exames tem maior impacto na detecção da infecção pelo HPV do que o grau de sensibilidade dos testes.

Ela destacou que a educação para a prevenção precisa ser muito trabalhada. "Em estudos que fiz na Índia, perdemos cerca de 60% das mulheres que conseguimos captar para um programa porque elas se recusaram a fazer os exames, por não apresentarem sintomas", disse a pesquisadora. E o número de participantes caía a cada etapa do estudo, com muitas se recusando a fazer a colposcopia (exame do colo do útero com uma câmera), assim como a biópsia diante de um resultado positivo para a infecção pelo HPV ou lesão.

Outra proposta de Gravitt é levar o consultório até às mulheres, através de clínicas móveis, como ônibus equipados. "O comprometimento do poder público com o rastreamento e com o seguimento das mulheres diagnosticadas com infecção ou lesão no colo do útero, no entanto, é a mais importante barreira a ser vencida para a prevenção do câncer cervical", afirmou.

Teste molecular: mais sensibilidade a custo baixo

A vantagem do diagnóstico molecular em relação à citologia ginecológica (exame Papanicolaou) para fins de rastreamento do câncer do colo do útero já é um consenso entre os pesquisadores. Na Finlândia e no México esse tipo de exame já é rotina. Reino Unido e Holanda estão em vias de adotar a metodologia, e Estados Unidos, vários países da Europa e da América Latina, entre eles o Brasil, e Caribe fazem estudos para avaliar seu custo-benefício.

De acordo com o pesquisador José Eduardo Levi, da Universidade de São Paulo (USP), a sensibilidade do teste molecular (PCR) é de 90 a 99%, enquanto a do Papanicolaou varia de 50 a 80%. Levi acredita que, além da maior sensibilidade, o fato de o teste molecular permitir a automação (a 'leitura' é feita por uma máquina, enquanto a citologia depende da observação de cada uma das lâminas por um profissional de saúde especializado) garante ganho na relação custo-benefício.

"Hoje o teste molecular já é mais barato do que a citologia, mesmo em países em desenvolvimento, como o Brasil. Como nosso público-alvo é muito grande, o custo individual do teste molecular cai muito. O que será previso nvestir em treinamento é pouco, já que a máquina é a responsável pela leitura das amostras", explica. Outras vantagens apontadas pelo médico são o aumento do intervalo para o rastreamento e a diminuição no número de colposcopias.

"As mulheres poderão se submter ao exame, possivelmente, a cada quatro, cinco ou seis anos. Esse intervalo ainda precisa de mais estudos para poder ser determinado", disse. O papanicolaou, no entanto, não está com os dias contados: ele seria empregado para as mulheres com diagnóstico positivo para infecção pelo HPV. "A citologia não é uma técnica para ser massificada. O teste molecular é mais indicado para o rastreamento", afirmou.

Apesar de todas as vantagens, Levi mostrou-se preocupado com a faixa etária abaixo de 35 anos, já que os estudos internacionais do teste molecular visavam mulheres a partir dessa idade. "No Brasil, temos uma parcela importante de mulheres infectdadas com o HPV e com lesões no colo do útero abaixo dos 35 anos."

escrito por Daniella Daher para o site www.inca.gov.br

 

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