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08-03-2010

8 de março - Dia Internacional da Mulher - Exames preventivos e cuidados simples podem ajudar na prevenção do câncer entre as mulheres

Por Mércia Ribeiro

Alguns cuidados simples no dia a dia podem transformar a vida de uma mulher. A prevenção, segundo o oncologista e diretor científico do Centro de Oncologia Campinas, Fernando Medina, ainda é a melhor forma de combater o câncer, considerada como a doença que mais acomete o público feminino. Na semana em que comemoramos o Dia Internacional da Mulher, o especialista dá dicas de como é possível prevenir a doença.

 Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), para o ano de 2010 são esperados 489.270 casos novos de câncer, sendo que 253.030 ocorrerão entre as mulheres. Os tipos mais incidentes no sexo feminino são o câncer de pele não melanoma (59 mil casos novos),  o câncer de mama (49 mil casos novos estimados) e o câncer do colo do útero e reto (28 mil casos novos estimados). "Pelo menos um terço dos casos novos de câncer poderiam ser prevenidos, caso houvesse uma cultura de prevenção entre as mulheres. Por isso, é tão importante cuidar da saúde desde cedo adquirindo hábitos saudáveis no dia a dia", alerta Fernando Medina.

Segundo o especialista, a maioria dos vários tipos de câncer que estão relacionados à dieta pode ser prevenido, assim como pode ser prevenida a totalidade dos cânceres causados por tabagismo e pelo uso de bebida alcoólica. Exames específicos conduzidos regularmente por profissionais de saúde também são importantes quando o assunto é prevenção. Nesses exames simples podem ser detectados câncer de mama, de colo de útero, reto, língua, boca e pele, entre outros.

Câncer de Colo de Útero

Até o fim de 2010, pelo menos 5 mil brasileiras morrerão em decorrência de um câncer no colo do útero. Em pleno século 21, o preconceito, a desinformação e a falta de métodos acurados para o diagnóstico da doença colaboram para que o mal atinja vidas que poderiam ser poupadas com bons exames preventivos e cuidados simples. Além das mortes, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que surgirão cerca de 19 mil novos casos desse tipo de tumor no país.

Os fatores de risco para o câncer de colo do útero estão associados ao vírus do papiloma humano (HPV), à higiene íntima inadequada, ao início precoce da atividade sexual, à multiplicidade de parceiros, ao uso prolongado de contraceptivos orais e ao tabagismo. A doença chega sem muito alarde. Em seu estágio inicial, costuma ser assintomática. Tem grande incidência na faixa etária de 20 a 29 anos e representa mais risco para mulheres entre 45 e 49 anos, principalmente as menos instruídas.

"Infelizmente, por vergonha, constrangimento e desinformação, a maioria das pacientes chega aos consultórios com a doença em estágio muito avançado, minimizando as chances de cura. Exames preventivos podem detectar tanto as lesões pré malignas, causadas pelo HPV, quanto as lesões iniciais do câncer", alerta o oncologista Fernando Medina.

Segundo ele, é importante deixar claro que o vírus do HPV nem sempre esboça manifestações imediatas. "As mulheres promíscuas estão no grupo de risco, mas nem todas acometidas pelo câncer de colo do útero mantêm relações com diversos parceiros. O câncer não é uma doença só. Ele é decorrente de diversos fatores e problemas acumulados ao longo do tempo. Acredito que a educação é a grande arma contra esse mal. Exames preventivos ginecológicos, noções básicas de higiene íntima, uso adequado de preservativos e hábitos sexuais saudáveis podem salvar muitas vidas", garante Medina

Câncer de Mama

O câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais frequente no mundo e o mais comum entre as mulheres, respondendo por 22% dos casos novos nesse grupo. No Brasil,segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), são esperados 49.400 novos casos em 2010, com risco estimado de 49 casos a cada 100 mil mulheres. Embora seja considerado um câncer de bom prognóstico, trata-se da maior causa de morte entre as mulheres brasileiras, principalmente entre 40 e 69 anos, com mais de 11 mil mortes/ano. Isso porque na maioria dos casos a doença é diagnosticada tardiamente.

Segundo Fernando Medina, esse tipo de câncer não possui ainda uma causa definida, mas alguns fatores de risco são conhecidos, como histórico familiar (mãe ou irmã com esse tipo de tumor na pré-menopausa), presença de alterações genéticas (modificações nos genes associados à doença), além do ritmo de vida acelerado vivenciado hoje por grande parte das mulheres. "Pacientes jovens fumam com mais fequencia, trabalham mais, estão mais sujeitas ao estresse e utilizam anticoncepcionais por tempo indeterminado. "É importante dizer que mudanças de hábitos, como a prática de atividades físicas regularmente, ter uma alimentação saudável e parar de fumar, ajudam a prevenir o câncer, tanto o de mama quanto outros que atingem as mulheres", esclarece Medina.

O oncologista alerta, ainda, para o aumento da incidência do câncer de mama em mulheres jovens. Uma pesquisa do Inca mostra que o disgnóstico em pacienetes com idade inferior a 40 anos subiu  de 3% para 17% do total de casos nos últimos anos.  "O câncer de mama em mulheres é muito complexo, pois mexe com o psicológico e abala a auto-estima feminina", explica Medina.

O auto-exame, conhecido como exame de toque, é o método mais antigo e o mais fácil para detecção precoce da doença. Porém, o oncologista chama a atenção para o modo como as mulheres se tocam. "Dependendo da maneira que é feito, o auto-exame se torna ineficaz para identificação do tumor", afirma. É importante ficar atenta ao período que é feito o auto-exame, devendo ser realizado mensalmente sete dias após o início da menstruação, quando as mamas já não estão mais inchadas, o que facilita a percepção de quaisquer alterações, tais como pequenos nódulos nas mamas e axilas, saída de secreções pelos mamilos, mudança de cor da pele, retrações, etc.

Aproximadamente 80% dos tumores são descobertos pela própria mulher ao palpar suas mamas. Porém, um dos fatores que dificultam o tratamento é o estágio avançado em que a doença é descoberta. Cerca de 50% dos casos são diagnosticados em estágios avançados, gerando tratamentos muitas vezes mutilantes o que causam maior sofrimento à mulher. O oncologista afirma que pelo menos um terço dos casos novos de câncer poderiam ser prevenidos, caso houvesse uma cultura de prevenção entre as mulheres. "Por isso, é tão importante fazer o auto-exame das mamas mensalmente, adquirir hábitos saudáveis no dia-a-dia e fazer consultas periódicas com especialistas", recomenda o especialista.

 fonte: www.segs.com.br

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