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01-06-2010

Viviane Bastos - enfermeira CliniOnco: ESTOMIA: orientações para o autocuidado

 

Doenças como o câncer que acometem o trato gastrointestinal podem levar à realização de uma cirurgia radical, resultando em um estoma de caráter temporário ou mesmo definitivo. Isto dependerá do tamanho, localização e extensão da doença.

O estoma é uma abertura cirurgicamente criada no abdome que permite a saída de fezes, facilitando a função do aparelho digestivo. A estomia pode ser feita no intestino grosso - chamada de colostomia ou no intestino delgado - chamada de ileostomia. A localização da estomia depende da parte do cólon utilizado para criá-la.

Por ser o revestimento interno do intestino (mucosa), o estoma é morno, úmido, vermelho e com pequena quantidade de muco.

Ao contrário do ânus, o estoma não possui uma válvula ou músculo de fechamento e, por essa razão, o controle voluntário da passagem de fezes não é possível, sendo necessário adaptá-lo a uma bolsa coletora para as fezes.

A realização de uma estomia resulta em uma mudança da função corporal normal para permitir a eliminação do conteúdo do intestino através deste orifício. Esta mudança não representa uma alteração significativa na química do corpo, nem na função digestiva. No entanto, causa um grande impacto na autoimagem, na autoestima e na autonomia dos indivíduos estomizados. Por isso, adaptar-se a esta nova situação trata-se de um processo gradual e que requer assistência.

Os primeiros meses que sucedem à cirurgia são considerados os mais difíceis, pelo fato do paciente e/ou da família estar em processo de aquisição de independência relacionada ao estoma. Para tanto, é necessário que o paciente, a família e os profissionais da equipe de saúde, desenvolvam uma comunicação eficaz, de modo que, dúvidas relacionadas à aquisição e manuseio de bolsas, cuidados com o estoma e pele, dieta e relações intrapessoal e interpessoal sejam esclarecidas.

Vamos aos cuidados!

A bolsa:

A bolsa deve ser adequada ao tipo de estoma, de acordo com o tamanho do mesmo. O tamanho do orifício de abertura da bolsa deve ser igual ou no máximo 3 milímetros maior do que o estoma.

A bolsa deve ser esvaziada sempre que necessário ou pelo menos duas vezes ao dia. Sua troca deve ser realizada regularmente, evitando assim, vazamentos e irritação na pele.

As bolsas podem ser encontradas nos Postos de Saúde e Hospitais da Prefeitura que se destinem ao tratamento das pessoas estomizadas. Nestes locais, a distribuição das bolsas é gratuita. Entretanto, é possível encontrá-las em algumas farmácias e lojas de equipamentos médicos.

A indicação destes materiais deve ser feita por profissionais especializados, após avaliação do paciente e das características de seu estoma.

O estoma:

É importante observar a cor (que deve ser vermelho vivo), o brilho, a umidade, a presença de muco, o tamanho e a forma. Alterações devem ser reportadas ao médico ou enfermeira.

A pele ao redor do estoma:

A limpeza da pele ao redor do estoma deve ser feita com água e sabão neutro, podendo ser realizada no próprio banho.

Não utilize substâncias agressivas à pele, como álcool, colônias, merthiolate, pomadas e cremes. Qualquer produto quando utilizado sem orientação de um profissional capacitado pode ressecar a pele e acabar ferindo-a.

A  alimentação:

A ingestão de alguns alimentos pode produzir gazes, causar cheiro ruim, amolecer as fezes ou causar constipação (prisão de ventre). Por isso, neste momento é muito importante realizar uma avaliação com uma nutricionista, pois ela irá orientar quais os alimentos devem ser consumidos e quais alimentos devem ser utilizados com moderação.

Vivendo com uma estomia

Aprender a viver com uma estomia pode parecer um grande desafio. Entretanto, é semelhante a qualquer outra grande mudança na sua vida, pois exige adaptação.

Você poderá fazer as mesmas coisas que fazia antes como viajar, passear, trabalhar, praticar atividades físicas, entre outras. É fundamental prevenir o isolamento social, já que muitos indivíduos estomizados sentem-se envergonhados por acreditarem que estão produzindo maus odores ou que todos estão cientes dos equipamentos adaptados ao seu abdome.

Sentir-se desencorajado é normal, faz parte do processo de luto desencadeado pela cirurgia. Contudo, ter uma perspectiva otimista da vida torna mais fácil o processo de aceitação e adaptação desta nova realidade, sendo ela provisória ou mesmo definitiva.

Integrar um grupo de apoio para estomizados também pode ajudar. É muito importante buscar centros de referência para o atendimento a pacientes estomizados que promovam ações de orientação ao autocuidado e prevenção de complicações das estomias. Procure informar-se sobre o que sua região oferece.

A Atenção Integral ao Estomizado é um DIREITO ESTABELECIDO PELO MINISTÉRIO DA SAÚDE ATRAVÉS DA PORTARIA Nº 400, DE 16 DE NOVEMBRO DE 2009.

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