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04-08-2011

Sexualidade Feminina na Perspectiva Psicológica

por Cristiano de Oliveira
14/03/2011

O assunto sexo continua sendo considerado tabu, pois nem mesmo as transformações da nossa cultura conseguiram derrubar. Todos fazem, poucos falam e invariavelmente quando falam carregam de certo pudor. Não bastasse isso, a mulher acometida de câncer de mama e ginecológico tem um duplo tabu, pois estamos falando de órgãos que representam a sexualidade e de doenças onde os tratamentos podem causar importantes repercussões físicas e psíquicas. Nesse sentido, buscaremos esclarecer e dar sugestões de enfrentamento da doença.
O câncer de mama e ginecológico (vulva , vagina, útero, tubas, ovário) , em seus distintos tratamentos, alcançam diferentes formas de impacto na sexualidade, visto tratar-se de órgãos revestidos de simbolismo, sendo reconhecidos como zonas erógenas importantes na relação sexual. Alguns estudos apontam que 2 em cada 3 mulheres (com parceiro fixo) mantêm-se sexualmente ativas após o diagnóstico de câncer de mama. Porém, sabe-se que pode haver um prejuízo na qualidade sexual, precisamente nas áreas: interesse sexual, disfunção sexual e satisfação sexual. Destacam-se prováveis e importantes complicações sexuais que estão associadas a sentimentos de culpa, prejuízos na autoestima, sentimentos de punição, dificuldade físicas, entre outras. Independente do tipo de neoplasia, à qual a mulher seja acometida, sabemos que estes prejuízos eventuais em sua sexualidade são determinados por um conjunto de fatores que envolvem características pessoais, socioculturais, questões médicas, imagem corporal, além do próprio relacionamento.
 Mas afinal, tudo de alguma maneira parece conspirar para se ter prejuízos na qualidade das relações? Não, de acordo com alguns pesquisadores, há aspectos negativos, mas há também aspectos positivos. Tudo depende, em resumo, das características pessoais, essas sim, têm um papel substancial na saúde sexual de qualquer pessoa. Pode se pensar como negativos, por exemplo, aqueles ligados ao "stress" do tratamento, bem como ocasionais limitações físicas. Já os positivos estariam relacionados a uma maior aproximação física e emocional do casal.
 Então tu deves estar te perguntando, se estas com dificuldades sexuais, o que fazer? Aqui elencamos algumas dicas:
Primeiro: diálogo, entre o casal, sempre (observe os sinais não-verbais);
Segundo: procure orientação especializada, estando bem identificadas as dificuldades torna-se mais fácil a solução;
Terceiro: uma das grandes inimigas do sexo é a ansiedade, há um conjunto de ações que podem ajudar a manejá-la, entre elas a psicoterapia, logo, busque tratamento;
Quarto: Caso tenha perdido a mama, ou haja qualquer cicatriz que a incomode, recomenda-se enfrentar o problema, se defrontar com a realidade, se apropriar dela, se habituar e desenvolver habilidade. Vá com calma, gradualmente é mais fácil, abuse da criatividade;
Quinto: O prazer não precisa ser necessariamente através da penetração, há distintas formas de se jogar com a sexualidade, estas inclusive facilitam o resgate da intimidade física e emocional.
 Independente do tipo de dificuldade sexual cabe ressaltar para concluir que a depressão, muito comum no tratamento oncológico, pode causar disfunção sexual e vice-versa. Logo, é fundamental em algum momento do tratamento a avaliação psicológica para que possamos entender e adequadamente intervir nas questões referentes à sexualidade, afinal, ela é parte importante na nossa qualidade de vida.
Há inúmeras formas de se viver a sexualidade, basta ter ousadia, criatividade e reconhecer nossa inata capacidade de superação

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