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04-08-2011

Sexualidade e câncer

por Juliana Hack
27/05/2011

A OMS define a "sexualidade humana parte integrante da personalidade de cada um. É uma necessidade básica e um aspecto do ser humano que não pode ser separado de outros aspectos da vida. A sexualidade não é sinônimo de sexo e não se limita à presença ou não do orgasmo. Sexualidade é muito mais do que isso. É energia que motiva encontrar o amor, contato e intimidade, e se expressa na forma de sentir, nos movimentos das pessoas e como estas tocam e são tocadas."

É a busca pelo prazer e pela sensação de satisfação, consigo mesmo e com o outro. Depende de fatores pessoais e socioculturais, pois cada indivíduo tem sua história, sua realidade, suas crenças e seus valores.

 Entretanto, a sexualidade influencia pensamentos, sentimentos e ações, e assim interfere na saúde física e mental, ou melhor, na percepção de qualidade de vida dos indivíduos.

O diagnóstico e o tratamento do câncer trazem muitas mudanças na vida das pessoas e obviamente, na sexualidade também. Porém este tema é cercado de tabus e acaba sendo "esquecido". Esquecido pela equipe, que não se sente confortável ou não sabe quando e como falar e esquecido, pelo paciente e seu parceiro, que se sentem envergonhados de estarem preocupando-se com algo "tão pouco nobre"!

Conversar e informar sobre alterações na sexualidade durante esta etapa tão especial é importante sim e pode trazer muitos benefícios, como: fortalecer os relacionamentos, evitar o isolamento, diminuir a ansiedade e a depressão, fornecer subsídios para facilitar o processo de enfrentamento... Enfim, diminuir o estresse e a aumentar a sensação de bem estar, de satisfação com a vida.

Quanto às disfunções sexuais, os problemas mais comuns, relacionados ao tratamento do câncer são:

  • Perda ou diminuição do desejo sexual ou libido.

É um dos sintomas mais comuns. Por vezes, de longa duração e bastante perturbador. É multifatorial e inclui razões físicas e psicológicas. Dos fatores físicos, os mais importantes são: fadiga (cansaço), náusea, dor , diminuição ou supressão dos níveis de hormônios sexuais nos pacientes em Hormonioterapia. Libido é "energia", a mesma energia dispensada para todas as outras tarefas do dia-a-dia. Muitas vezes, durante o tratamento oncológico, não resta energia... Sendo necessário reservar apenas para o essencial!

  • Dor durante a relação sexual ou dispareunia.

As principais causas são: cirurgias pélvicas (útero, ovário, bexiga, reto), diminuição da lubrificação vaginal pela menopausa (natural ou induzida) e lesão na mucosa vaginal por radioterapia ou infecções oportunistas (candidíase, por exemplo). O uso de lubrificantes a base de água, como KY®, pode ajudar.

  • Alteração na imagem corporal (Auto-imagem)

Relacionada aos efeitos colaterais da quimioterapia: alopecia, mudança no peso e até mudança no cheiro são percebidas pelos pacientes. Cicatrizes, estomas ou retirada de partes do corpo relacionada à cirurgia oncológica são fatores muito estressantes. A exposição diária do corpo durante a radioterapia torna essa parte "doente", "intocável". O que é uma idéia distorcida.

  • Disfunção Erétil

Também multifatorial. Pode ser causada pela fadiga, falta de libido, diminuição dos hormônios ou até mesmo por crenças relacionadas à vida sexual pregressa ao adoecimento. Muito frequentemente está relacionada ao trauma cirúrgico em nervos ou músculos que controlam a ereção.

  • Infertilidade

Mesmo não sendo considerada uma "disfunção sexual", o risco de infertilidade associado ao tratamento traz conflitos para os pacientes e podem repercutir na sexualidade, nos relacionamentos. Pode acontecer deste tema não ser discutido, às vezes, por falta de tempo, mas existem recursos para preservação da fertilidade antes do início da quimioterapia, radioterapia ou da cirurgia.

Compreender o que está acontecendo é o primeiro passo na trajetória da superação. Cada um tem seu tempo e sabe o que é importante para si mesmo. Medos, sentimentos desagradáveis e pensamentos inadequados são "esperados", mas precisam ser expressos para que possam ser transformados. Comunicação é a palavra chave: comunicação entre o casal e comunicação com a equipe assistencial!

Técnicas, medicamentos e intervenções multiprofissionais estão disponíveis para tratamento das disfunções sexuais, o que nem sempre resolve as questões de sexualidade. Porque o sexo é apenas uma das formas de expressar amor e orgasmo é apenas uma das maneiras de obter prazer. Gentileza, afeto e respeito podem fazer muita diferença na vida de todos nós

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