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04-08-2011

Prevenção Sempre!

por Iara Rodrigues
05/04/2011

 

(Uma visão fisioterapêutica sobre a prevenção de sequelas e/ou complicações nas cirurgias mamárias e pélvicas em oncologia)

            Após um diagnóstico de câncer, as decisões a serem tomadas são inúmeras e, também, exaustivas são as tarefas a serem executadas. Dentro de tudo isto se encontra a preparação, a cirurgia, contatos, organização da vida, entre outros.

            Iniciado o processo, é uma avalanche de informações, entre elas, a cirurgia, medicações, tratamentos que virão.

            A  mulher que foi submetida a uma cirurgia mamária e/ou pélvica e, frente a tudo isto, podem ocorrer sequelas  em maior ou  menor escala.

As pacientes trazem queixas tais como:

•·         - Dor ao movimentar-se ou a compressão de região pélvica e genital;

•·       -   Imobilidade ou hipomobilidade e "repuxos" significativos da cicatriz e adjacências;

•·       -   Alterações emocionais subsequentes a limitações físicas;

•·       -   Fibroses (endurecimentos), retrações cicatriciais e teciduais;

•·       -   Incontinência urinária em diversos graus que vão desde a de urgência até para esforços;

•·       -   Modificações em suas atividades de vida diária, ocupacionais, esportivas, lazer, sono;

•·        -  Disfunções em sua sexualidade com dores e dificuldades na relação (mais tardiamente);

•·         -  Edemas (inchaços) nas regiões operadas;

•·         -  Alterações na sua funcionalidade, na amplitude de movimento; na postura e outras;

•·         - Sensações de "ardência" ou desconforto ao urinar;

•·         - Alterações importantes de sensibilidade no local cirúrgico, bem como em dermátomos (regiões cutâneas de inervação radicular) correspondentes;

•·         - Dor, linfedema, alterações veno-linfáticas;

•·        -  Alterações posturais com posições antálgicas e/ou de proteção local.

                  As alterações descritas acima podem ou não estar presentes num pós-cirúrgico oncológico, porém o objetivo é evitar a instalação de mais sequelas e/ou complicações, bem como o agravamento daquelas já existentes, através de um tratamento preventivo multiprofissional.

            Entre estes tratamentos está a Fisioterapia que atuará para minimização ou remissão dos sinais e sintomas apresentados, evitando, ainda, a instalação de outros com condutas que utilizam métodos combinados ou não para analgesia (métodos manuais e de aparelhos); orientações na realização de movimentos corporais de maior esforço como tosse, espirro, levantar, sentar, sem lesões a cirurgia;  reeducação de posicionamentos diários que favorecem o bem estar e conforto corporal; exercícios de fortalecimento muscular geral, membros superiores e inferiores; treino para fortalecimento de assoalho pélvico;  massoterapia específica para este tipo de pós-cirúrgico; drenagem linfática manual; melhora da mobilidade, flexibilidade e coordenação motora; exercícios direcionados para desenvolvimento de atividades cotidianas simples e mais complexas, atividades ocupacionais, atividades anteriores a cirurgia, etc.; relaxamentos; conscientização corporal; orientações pertinentes a cada caso e outros.

            O que se observa é que atualmente o tratamento multidisciplinar com os mais diversos profissionais da área da saúde focados no paciente oncológico, torna-se, cada vez mais, individualizado, dirigido e indicado para cada paciente (caso a caso), e é desenvolvido baseado numa linha terapêutica que visa à melhora, cura, reabilitação, mas fundamentalmente na PREVENÇÃO de novos episódios, o que pode nos reportar a análise da importância de se fazer uma avaliação  junto a estes profissionais para não haver progressão dos problemas apresentados após o diagnóstico oncológico, evitando outros e principalmente propiciar ao paciente, conhecer e reconhecer alterações pós-cirúrgicas que muitas vezes não são tratadas e resolvidas por desconhecimento da existência de tratamento adequado para as queixas tão angustiantes e desconfortáveis.

            A qualidade de vida deve ser prioridade desde o diagnóstico, passando pela cirurgia, durante todos os tratamentos e também continuar após todos estes processos na manutenção e/ou melhoria da autoestima, a imagem corporal, lazer, autoconfiança, retorno às  atividades anteriores, ao trabalho, à família, aos amigos, enfim, à vida.


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