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10-08-2011

Neuropatia

Suzana Bahlis

Tenho formigamento, o que pode ser isto?

O formigamento ou a neuropatia periférica é uma complicação frequente causada por algumas das medicações utilizadas no tratamento do câncer. Ela começa geralmente nas mãos e nos pés e sobe gradualmente pelos braços e pernas.

Os sintomas comuns da neuropatia periférica incluem:

                                    

·         Cãimbras;

·         Dor;

·         Extrema sensibilidade ao toque;

·         Fraqueza e perda dos reflexos;

·         Incapacidade de sentir calor ou frio intenso;

·         Paralisia;

·         Perda de coordenação (nestes casos pode ser difícil executar tarefas rotineiras, como abotoar a camisa, contar moedas ou caminhar);

·         Sensação de formigamento ou pontada;

·         Sensação de queimação.

 

A neuropatia periférica induzida pela quimioterapia (NPIQ) pode variar conforme o tipo de quimioterápico utilizado, a dose e o esquema de administração. No entanto, este efeito colateral pode ser extremamente debilitante e ainda não existe uma forma de prever quem vai sofrer e em qual intensidade ou grau.

Os sintomas da NPIQ são geralmente tratados com a combinação de fisioterapia, terapias complementares, como massagem, acupuntura e medicamentos que podem incluir esteroides, antidepressivos, antiepiléticos e opioides para controlar a dor severa. Entretanto até hoje há poucos resultados nos tratamentos citados e praticamente todos os medicamentos provocam os seus próprios efeitos colaterais.

O diagnóstico é geralmente realizado através das queixas do paciente na consulta médica. Assim, após identificação do grau da neuropatia, o oncologista define o seguimento da terapia, considerando redução de doses, ou até mesmo a suspensão das drogas de maior risco para neuropatia. Outros exames complementares também podem ser solicitados, bem como avaliação dos sintomas por outros membros da equipe, como a enfermeira, o fisioterapeuta ou a psicologia.

Como não pode ser previsto em que grau a neuropatia ou formigamento irá manifestar-se e por quanto tempo é fundamental que todos os pacientes tenham o conhecimento de alguns cuidados importantes, como:

Realize exercícios leves que possam ser utilizados para aumentar a força e o controle muscular. Estes exercícios devem ser orientados por um profissional de fisioterapia para que o paciente não corra riscos na execução dos mesmos;

 O uso de bengalas, muletas, cadeiras de rodas, aparelhos ortopédicos e talas temporariamente podem melhorar a mobilidade, a capacidade para utilizar uma extremidade afetada ou impedir deformidades;

Caso sinta tonturas com frequência ao se levantar isso pode ser um sinal de hipotensão postural e seu médico e enfermeira devem ser avisados. Algumas medidas simples podem amenizar esse sintoma:

Procure realizar exercícios com as pernas antes de se levantar, como por exemplo: mover os pés para cima e para baixo e alguns movimentos suaves de marcha no local;

Levante lentamente, pois dessa forma dará a seu corpo mais tempo para se adaptar a outra posição;

Beba bastante líquido, pois a desidratação pode intensificar os sintomas;

Caso sinta tontura quando estiver realizando suas atividades, procure sentar­ se ou deitar-se a fim de evitar acidentes mais graves;

Garanta uma boa iluminação dos cômodos da sua casa para evitar tropeços ou quedas;

A instalação de barras de apoio no banheiro e na área do chuveiro pode evitar quedas durante a utilização deste local;

Evite deixar tapetes soltos, mesas de centro ou objetos nas áreas de maior circulação da casa;

Quando for tomar banho, caso tenha perdido ou diminuído sua sensibilidade peça que algum familiar verifique a temperatura do banho para evitar queimaduras. No caso de morar sozinho, você pode utilizar um termômetro para verificar a temperatura da água;

Dê preferência aos alimentos na temperatura ambiente, com isto você evita possíveis queimaduras da cavidade oral ou do esôfago;

Sempre que for cozinhar redobrar os cuidados, utilizar colheres de madeira, panelas com cabos que não aquecem e luvas térmicas para a sua proteção a queimaduras;

Nos dias muito frios, utilizar luvas para manter aquecidas as mãos e nos pés sapatos confortáveis com meias de algodão. Você pode dar preferência ao tênis que tem mais estabilidade para caminhar e uma capacidade maior de aquecimento;

Sempre que realizar atividades de jardinagem ou até mesmo tarefas domésticas, utilizar luvas de borracha para evitar machucados;

Avalie diariamente as mãos e os pés a procura de traumas, alterações ou lesões na pele;

Cuide diariamente dos pés, procure avaliá-los em local com boa luminosidade e com a ajuda de um espelho. Procure observar se há alterações na coloração da pele, presença de bolhas, rachaduras, cortes, frieiras ou ferimentos;

Procure usar sapatos confortáveis que não apertam os pés. O ideal são os sapatos fechados com acabamento macio e sempre de numeração e alturas adequadas. Os que possuem solado antiderrapante proporcionam maior segurança;

Evite sapatos sem meias. Dê preferência para meias sem costuras e elásticos, pois previnem machucados. Evite andar somente de meias e/ou descalço mesmo dentro de casa;

Ao cortar as unhas utilize cone quadrado (nunca corte os cantos) lixando os cantos para mantê-los arredondados para evitar que sua unha encrave;

IMPORTANTE: Se sua visão estiver prejudicada peça a um familiar ou pessoa de sua preferência que corte suas unhas;

Mantenha sempre a equipe de saúde  bem informada quanto aos graus dos sintomas e a realização do manejo orientado e prescrito.

Estas orientações fornecidas podem ajudá-lo a entender melhor a neuropatia e assim,  junto com os profissionais de saúde encontrar as respostas de como conviver e enfrentar esta toxicidade do tratamento.

Enfª. Suzana Bahlis

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