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03-08-2010

Mirian Zetermann - Enfermeira CliniOnco: FADIGA

Entender a fadiga e suas causas é importante para encontrar soluções de como enfrentar essa situação.

A fadiga relacionada ao câncer (FRC) inclui a sensação de cansaço, a lentidão mental e a ausência de recuperação emocional. Todos os tipos de tratamento do câncer produzem fadiga, variando de intensidade conforme o esquema terapêutico e a condição clínica do paciente.

Em comparação com a fadiga comum, que é aliviada pelo sono e repouso, a FRC é arrasadora e persistente, provoca cansaço independente de quanto a pessoa descanse.

Os pacientes descrevem-se cansados demais para fazer qualquer coisa, incapazes de se concentrar, o que leva ao desânimo ou até mesmo à depressão. Devido à semelhança de alguns sintomas, é importante a avaliação da psicologia para diferenciar depressão de fadiga.

Os sintomas associados à fadiga podem ser relacionados:

• Diretamente à doença, quando, por exemplo, o paciente apresenta dor, tosse, falta de ar, emagrecimento;

• É importante reforçar que a DOR é um evento onde o organismo utiliza muita energia, então o manejo adequado da dor alivia também esse cansaço.

• Ao tratamento (cirurgia, quimioterapia e radioterapia), que devido aos efeitos colaterais, pode provocar dificuldades de alimentação, desidratação, anemia, entre outros.

• Ao uso de medicações concomitantes ao tratamento, como antidepressivos, antialérgicos, analgésico e antieméticos, que podem causar alterações no sono e no estado de atenção.

Contudo, a fadiga é o sintoma mais prevalente no tratamento oncológico e representa um grande desafio para o paciente, sua família e a equipe multiprofissional. Compreender de que forma esse sintoma prejudica o dia a dia e realizar uma avaliação detalhada do paciente, permite traçar um plano personalizado para contornar as dificuldades e facilitar o enfrentamento desse problema.

Dicas para controlar a fadiga:

Priorizar atividades, identificando as essenciais;

Delegar algumas atividades para pessoas próximas (como realizar compras no supermercado, cozinhar e congelar os alimentos já em porções para o consumo);

Trabalhar menos horas por dia ou planejar um esquema de trabalho diferente (com intervalos ou em outra função);

Descobrir formas diferentes de realizar as atividades, como por exemplo: acrescentar um assento elevado no banheiro, usar cadeira de rodas se estiver difícil para caminhar, sentar em vez de ficar em pé para realizar tarefas repetitivas;

Preferir alimentação saudável e equilibrada, inserindo complementos alimentares se necessário. A avaliação e acompanhamento da nutricionista são essenciais para este tratamento;

Ingerir bastante líquidos durante o dia;

Praticar exercícios físicos adequados como caminhadas, yoga, alongamentos, exercícios que trabalhem a respiração. O fisioterapeuta pode ser consultado para orientações sobre as atividades mais indicadas;

Realizar "sonecas" de no máximo uma hora durante o dia para não interferir no sono da noite;

Dormir pelo menos oito horas seguidas todas as noites;

Evitar ruídos e claridade quando for deitar para dormir (desligar rádio, televisão, fechar janelas);

Realizar atividades de lazer em geral, proporcionando bem estar à mente e ao corpo (leituras, trabalhos manuais);

Trocar experiências com outros pacientes. Participar dos grupos de apoio pode trazer grande benefício (Conheça os Grupos da Clinionco!);

Escrever um diário onde fiquem registradas todas as sensações durante o tratamento e quais intervenções foram eficientes para melhorar. Este relato pode ajudar o médico e a equipe no planejamento do cuidado.

A fadiga, assim como qualquer outro evento que ocorra durante o tratamento, requer estratégias físicas, emocionais e sociais para o seu enfrentamento. No entanto, é possível, com a ajuda e participação de todos, SUPERAR essa situação.

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