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16-04-2008

Marisa Campio Müller - psicóloga, doutora em Psicologia Clínica: A pele e as emoções

 

 

Maior órgão de percepção no momento do nascimento, a pele é um órgão de comunicação e de percepção visível, tornando-se o meio para o contato físico e para a transmissão de sensações físicas e emoções. Expressa os nossos sentimentos mesmo quando não estamos cientes deles. Nossa pele pode ser comparada a uma roupa que jamais tiramos, mas como tudo o mais que vestimos, ela também muda conforme o nosso humor e a ocasião. Praticamente, todos os atos de amor e de raiva envolvem intercâmbio dinâmico da pele. Portanto, não deve ser surpresa que seja ela a primeira a manifestar os problemas quando as aflições emocionais "vazam" do coração e da mente. A pele atua ainda como limite dentro-fora, eu e o outro, eu e o mundo, agindo como um sistema de abrigo de nossa individualidade: ao mesmo tempo que nos protege, é a fachada que nos expõe. Pela quantidade e, sobretudo, pela qualidade de contato que a criança recebe de sua mãe, vai se estabelecendo a comunicação básica de prazer e de desprazer do bebê consigo mesmo e com os demais. Pela pele, o ser humano pode expressar suas emoções, seus conflitos e se auto-representar. Assim como os olhos são o espelho da alma, também a pele reflete a personalidade, as batalhas com a vida, os conflitos e as tensões. Estudos recentes mostram que estressores psicossociais, perdas, desemprego, mau ajustamento interpessoal, desordem de ansiedade, fatores psicológicos como hostilidade e baixa estima estão relacionados com condições dermatológicas. Vários autores referem a importância da pele para o contato do bebê com o mundo externo e ressaltam também a importância desta relação inicial pele-mãe x pele-bebê  bem como suas dificuldades e conseqüências. A carência de afago e de toque nesta fase inicial pode determinar mais tarde sérias dificuldades de relacionamento. A pele é o espelho do funcionamento do organismo: sua cor, textura, umidade, secura e cada um de seus demais aspectos refletem nosso estado de ser: psicológico e fisiológico. Frequentemente usamos expressões como dar uma esfregada, um toque, casca dura, casca grossa, à flor da pele, uma questão de pele, quando estamos nos referindo a questões das relações eu com o outro. Simbolicamente usamos estes termos que dizem respeito à pele. A psicodermatologia, uma área nascente da psicologia e da medicina, propõe uma compreensão e um tratamento integrado médico e psicológico das doenças relacionadas com a pele. Hoje muito mais do que um órgão, a pele é uma representação dos sentimentos e das emoções reprimidas que necessitam ser clarificados.

 

 

 

 

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