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18-11-2009

Iara Rogrigues: O Linfedema no pós-cirurgico do câncer de mama e a fisioterapia

 

No Brasil, o câncer de mama é a neoplasia maligna mais frequente entre as mulheres no Rio Grande do Sul. 

Dentre as diversas sequelas e/ou complicações que podem ocorrer no pós-operatório desta patologia encontra-se o linfedema, isto é, o "inchaço" do membro superior acometido. O Linfedema pode ser definido como um acúmulo de líquido no espaço intersticial, edema e inflamação crônica de uma extremidade, onde existe uma perda de equilíbrio entre o sistema vascular e linfático, com consequente sobrecarga funcional do sistema linfático.

No caso do pós-operatório do câncer de mama e suas complicações, sendo este com linfanedectomia (esvaziamento axilar) ou retirada de linfonodo sentinela, poderá acontecer o linfedema secundário, que ocorre como resultado de uma interrupção ou obstrução do sistema linfático.

Como causa de desenvolvimento do linfedema temos:

O esvaziamento axilar ou em alguns casos de retirada do linfonodo sentinela, a manipulação da axila necessária à cirurgia, a radioterapia principalmente axilar, a obesidade, a idade, a amplitude de movimento diminuída, ferimentos, abuso de atividades que exijam esforço (peso) associado com a repetitividade, a inatividade com o membro superior acometido, alterações teciduais e cicatriciais, seromas, entre outros.

A instalação de um quadro de linfedema poderá influenciar nos aspectos psicológicos, sociais, emocionais e físicos destas pacientes, causando grande alteração na qualidade de vida, na concepção estética de cada uma, na força e sensibilidade do membro superior, sensação do aumento de tensão tecidual que pode levar a dor e desconforto, além de deixar a paciente com uma suscetibilidade a algum tipo de inflamação ou infecção no membro afetado.

Considera-se que a principal forma de tratamento para o linfedema é a fisioterapia específica para pós-cirúrgico de câncer de mama no tratamento com a linfoterapia, que utiliza recursos como a drenagem linfática manual, enfaixamentos, cinesioterapia (exercícios linfomiocinéticos), contenção elástica, automassagem e readequação de atividades diversas. O tratamento é dirigido para cada caso, conforme uma completa e detalhada avaliação inicial.

Observa-se, no entanto, que a falta de orientações para a prevenção do problema e, se necessário, o tratamento fisioterapêutico específico para minimização e/ou resolução deste quadro, influencia no resultado e principalmente nos movimentos e na adequação de atividades diárias da paciente.

Verifica-se que a grande maioria das pacientes que desenvolvem o linfedema, em grau leve ou não, realizaram em algum momento  alguma atividade  inadequada que envolvia esforço associado a repetitividade, ou ainda contração muscular estática prolongada seja ela domiciliar, ocupacional, esportiva.

Segundo um levantamento obtido com pacientes que realizaram cirurgia de câncer de mama e retirada do linfonodo sentinela, também aqui na CliniOnco, e que foi aprovado para apresentação em pôster no XV Congresso Brasileiro de Mastologia, numa amostra de 83 pacientes, 09 pacientes eram assintomáticas, 12 receberam orientações fisioterapêuticas e as 62 restantes tinham indicação e realizaram o atendimento fisioterapêutico.

Acredita-se que para uma melhor prevenção e possível resolução do linfedema pós-cirúrgico de câncer de mama a paciente deverá ser avaliada, orientada e, se necessário, iniciado tratamento fisioterapêutico especializado para cada caso, visando essencialmente a melhoria na sua qualidade.

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