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02-09-2008

Iara Rodrigues da Silva: Qualidade de vida sexual nas mulheres após o câncer de mama

 

Baseado no trabalho de conclusão de Pós Graduação do Colégio Brasileiro de Estudos Sistêmicos da acadêmica: Gabriela Freitas Muffato, sob a orientação da Fisioterapeuta Iara Rodrigues da Silva.

A partir de atendimentos de Fisioterapia aplicada à Mastologia, mais especificamente Fisioterapia na reeducação cinético funcional para pós-cirúrgico de câncer de mama, verificou-se a dificuldade das mulheres submetidas à cirurgia de mama, com a sua auto-imagem, indo desde a perda de sua mama, seja ela parcial ou total, a perda do cabelo, diminuição da funcionalidade, até uma disfunção sexual com perda, também, de sua  libido. Estes eram muitos dos relatos que presenciávamos a cada nova sessão realizada. Inicia-se então em 2007 uma pesquisa na CliniOnco e no Programa Fisiomama, com algumas destas pacientes sobre sua qualidade de vida sexual após a cirurgia.

Freqüentemente, observa-se que estas pacientes têm alterações significativas em sua função sexual, tanto durante, como após o tratamento, sendo que muitas pesquisas apontam para este tema, ou seja, a qualidade de vida dos pacientes oncológicos após o diagnóstico e durante toda a evolução de seu tratamento.

Makluf (2006) refere que o diagnóstico e o tratamento, muitas vezes mutilador, do câncer de mama, podem levar a mulher a alterações na sua imagem corporal, perda funcional, alterações psíquicas, emocionais e sociais.

Silva (2003) ressalta que mesmo com os avanços tecnológicos no tratamento do câncer de mama, estas mulheres acometidas apresentam em seu pós-operatório muitas seqüelas, levando-as muitas vezes, a severas limitações, e mais grave ainda, a difícil inserção em seu convívio familiar, social e ocupacional.

Aproximadamente 20 a 30% das mulheres com neoplasia de mama desenvolvem disfunções sexuais. Essas disfunções podem acontecer em mulheres tratadas recentemente ou naquelas cujo tratamento terminou há vários anos. A etiologia das disfunções sexuais ainda não está bem compreendida. Além de reações psicológicas, outras variáveis podem estar relacionadas às disfunções sexuais, como o antecedente de quimioterapia, secura vaginal, idade e estado menopausal.

As pacientes que integraram esta pesquisa tiveram, em algum momento de suas vidas, um câncer de mama, com necessidade de um tratamento quimioterápico e cirúrgico. Conseqüentemente essas mulheres tiveram que aprender a lidar com as adversidades causadas pelos tratamentos. Diante da complexidade que envolve o processo de reabilitação de mulheres que tiveram câncer de mama, esse estudo propôs-se a analisar a qualidade da vida sexual dessas mulheres.

            Participaram da amostra 11 (onze) mulheres que tiveram câncer de mama e que tinham parceiros. Foi empregado o questionário GRISS feminino modificado (Inventário de Satisfação Sexual de Golombok e Rust), com  28 perguntas que avaliam a resposta sexual e o relacionamento com o parceiro.

            Dentre os achados mais importantes, observamos que 54,6% da amostra referiu desinteresse ocasional por sexo, 72,2% mantém um bom diálogo com seus parceiros a respeito de sua vida sexual. A imagem corporal está alterada em 54,6% destas mulheres, sendo que 36,4% nunca estão satisfeitas com seus corpos.

As primeiras conclusões nos  permitem  observar o impacto do câncer de mama nessas mulheres, afetando suas vidas de maneira global. As alterações na vida sexual das mesmas, como o desinteresse por sexo, a falta de libido, alterações na capacidade orgástica e a deturpação da imagem corporal, foram itens relevantes neste estudo. Contudo, vimos que o papel do companheiro é fundamental em todas as etapas do tratamento.

Mulheres submetidas à mastectomia relatam mais insatisfação com o resultado estético e estresse emocional associado à aparência física. Estas mulheres referem se sentirem menos atraentes.  Em um estudo conduzido por Makluf (2006), nos mostra que mulheres casadas ou que têm uma relação conjugal estável apresentam melhores escores de qualidade de vida global do que mulheres solteiras, entretanto o impacto da mastectomia sobre a imagem corporal é maior em mulheres casadas.

            Diante de todos estes fatos é que se verifica, mais uma vez, a importância da Fisioterapia no auxílio  e na busca de soluções ou minimizações deste quadro podendo  intervir  de várias formas. No caso das disfunções sexuais o fisioterapeuta especializado poderá dispor dos seguintes recursos: treino com exercícios de percepção e movimentos de retomada, também, de sua imagem corporal, cinesioterapia, biofeedback, eletroestimulação, cones vaginais, exercícios sexuais, dessensibilização vaginal, massagem perineal e educação comportamental.

            Por um lado, observou-se no presente trabalho, a favorável intervenção da Fisioterapia aplicada no auxílio à readequação destas pacientes para melhoria de sua qualidade de vida e, por outro lado, o quanto é importante a presença ativa do companheiro durante todas as etapas de diagnóstico e tratamento do carcinoma mamário, visto tratar-se de um problema que afeta a mulher num sentido global. Apesar das alterações sexuais que passam essas mulheres, nos aspectos orgânico, físico e emocional, as mesmas podem enfrentar todo processo, seguradas pelo apoio e o carinho que seus parceiros dispensam.

 

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