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12-12-2008

Enfª Juliana Hack: informação como estratégia de controle

Um dos desafios na terapia oncológica é o manejo dos efeitos colaterais. Por isso, nas últimas décadas este tema também tem sido importante foco de investigação. Hoje, compreendemos melhor os processos fisiológicos e psicológicos desencadeados pelo tratamento antineoplásico e assim, podemos tratá-los de forma mais eficaz e específica, bem como preveni-los.
No entanto, mesmo sofrendo significativa redução, estudos recentes mostram que náusea e vômito (N/V) ainda são a primeira e terceira causa de desconforto associado à quimioterapia.
Tais sintomas impactam de forma muito negativa na vida das pessoas, pois ao interferir na alimentação, interferem no estado nutricional e na sensação de bem estar. Alimentar-se pode deixar de ser prazeroso! Náusea é uma sensação desagradável, subjetiva e individual.
Assim, é fundamental que os profissionais de saúde, pacientes, seus familiares, amigos e/ou cuidadores estejam atentos e preparados para enfrentar esta situação. Informação, comunicação e um bom trabalho em equipe fazem toda a diferença!

Os principais fatores descritos como responsáveis por N/V induzidos pela quimioterapia são:

  • Irritação direta da camada de células que reveste o trato digestivo (mucosa) e liberação de substâncias (neurotransmissores) que enviam mensagens ao cérebro. Afinal, a náusea é uma defesa do organismo, já que é a preparação para o vômito e conseqüente expulsão do que está agredindo.
  • Alterações no olfato e paladar;
  • Diminuição na saliva ou "boca seca";
  • "Aprendizado à aversão", ou seja, quando algo causou mal estar, aprendemos a rejeitá-lo. É a forma da consciência subjetiva de dizer que não aceita aquilo (reflexo condicionado);
  • Ansiedade e expectativa ruim em relação à quimioterapia. A náusea pode ser sim induzida pelos pensamentos, pelo medo. Ainda no entendimento deste processo é importante compreender as seguintes definições:

   -Náusea aguda: ocorre nas primeiras 24h após a quimioterapia (QT). É o período de maior risco para desenvolvimento de N/V.

-Náusea tardia: ocorre entre o 2° e 7° dia após a quimioterapia. Neste período o risco vai progressivamente decrescendo.

-Náusea antecipatória: é aquela que acontece antes de um novo ciclo de QT e pode ser considerado um reflexo condicionado, como apresentado acima.

-Náusea refratária: é aquela que não se obtém controle efetivo com medicamentos e onde terapias complementares são muito bem vindas.

Portanto, se "atacarmos" a náusea aguda e tardia, estamos minimizando as chances de ocorrer náusea antecipatória e refratária.

Além da compreensão de causas e definições, evidências científicas ajudam os profissionais a prever o risco de cada paciente para apresentar náusea e vômito, cruzando as características individuais do paciente versus informações relacionadas às drogas (dose, via de administração, periodicidade).

Quanto às medicações e suas combinações (protocolos) estão classificadas em uma escala de 1 a 5. Estando no nível 1 os remédios que induzem N/V em menos de 10% dos pacientes e no nível 5 aqueles que provocam N/V em mais de 90%, isto é, com risco muito alto para desenvolvimento destes sintomas!

Quanto às características individuais, são considerados fatores de predisposição à náusea: experiências prévias negativas com a quimioterapia, pacientes mais jovens, hábitos alimentares inadequados, alterações digestivas preexistentes,  mulheres são mais vulneráveis que os homens  e principalmente, o estado emocional abalado.

Enfim, todos estes dados servem para guiar a equipe na escolha do melhor tratamento antiemético (contra N/V), de forma individualizada, a partir de uma boa avaliação, incluindo medidas farmacológicas e não farmacológicas.

Consideramos medidas não farmacológicas todas as técnicas, cuidados e atividades que dispensam o uso de medicação. São exemplos: relaxamento, meditação, técnicas de distração e visualização, exercícios respiratórios (respiração profunda), atividade física, realização de trabalhos manuais, psicoterapia e dietoterapia. Todas com ótimos resultados.

Do ponto de vista medicamentoso, o médico oncologista, tem à disposição várias classes de remédios, como os inibidores dos neurotransmissores (ex: ondansetrona, metoclopramida), corticóides (ex: dexametasona), ansiolíticos (ex: lorazepan), e guias internacionais que preconizam o uso destas combinações antes do início da quimioterapia e durante os primeiros 3 - 4 dias após. Ou seja, independente se o paciente apresentar ou não estes efeitos adversos, deve utilizar as medicações prescritas. Então, como pudemos entender, existem múltiplas variáveis neste processo, reforçando a idéia que o tratamento antiemético ideal, bem como a oncologia de forma geral, não inclui apenas os medicamentos e envolve a participação de "todos".

Profissionais ou não, "todos" tem espaço para ajudar, basta um "olhar integral" e "atitude positiva". Nem sempre a solução está nas intervenções mais complexas, ações simples também podem ter grandes resultados.

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