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27-02-2010

Dra. Viviane Luzardo - Médica dermatoligista Clinionco: Bronzeado x saúde

 

Nossa cultura é carregada de estereótipos. O corpo magro representa a beleza. O salto alto, a elegância. O carro do ano, o sucesso profissional. Obviamente, estes símbolos muitas vezes atuam como a superfície de uma realidade que está longe da representada, mas são eficientes no objetivo de vender uma imagem. Tão eficientes, que é difícil desconstruí-los e mostrar sua fragilidade, ou total contrassenso. No verão, por exemplo, ganha força a busca pelo corpo bronzeado, símbolo de saúde.

Não é preciso muito esforço para mostrar que uma pele dourada pelo sol, ou pelas câmeras de bronzeamento artificial, nada tem de saudável. As pesquisas científicas da área empilham dados e mais dados que provam os riscos da exposição demasiada aos raios ultravioleta. Logo, o bronzeado, normalmente "lido" como sinônimo de saúde, também deveria ser entendido como veículo para rugas precoces, desgaste da pele, sem falar no risco para o desenvolvimento do câncer de pele.

O alerta não tem como objetivo acabar com a alegria dos veranistas e de todos nós, que aguardamos pela chegada do verão para vivermos momentos de descontração e descanso, muitos deles à beira-mar ou na piscina. No entanto, os riscos de uma exposição irresponsável ao sol não devem ser minimizados. Embora a mensagem dos cuidados com a pele seja repetida à exaustão nesta época do ano, continua impressionando o número de veranistas que lotam nossas praias em pleno meio-dia, horário prejudicial mesmo com o mais potente dos filtros solares.

Em meio à polêmica dos últimos dias, em relação à legalidade das câmeras de bronzeamento artificial, é importante lembrar que também elas promovem a exposição aos raios ultravioleta, tão prejudiciais à pele. Mesmo permitidas por lei, continuam sendo prejudiciais. Não é a toa o posicionamento da Sociedade Brasileira de Dermatologia, que não recomenda o uso das câmaras de bronzeamento artificial para fins estéticos, devido aos problemas que podem acarretar, como envelhecimento precoce e câncer de pele.

Precisamos, com urgência, trazer à tona a percepção de que saudável é a pele protegida, independente da cor. Para isso, valem as dicas: evite a exposição ao sol entre 10h e 16h; use protetor solar com fator de proteção acima de 15 e óculos escuros; aplique o filtro 20 a 30 minutos antes de se expor ao sol e reaplique-o a cada duas horas; e, sim, evite o bronzeamento em câmera de luz artificial.

 

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