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15-06-2010

Dra. Fernanda Nascimento: Neoplasias do Aparelho Digestivo

 

As neoplasias do aparelho digestivo são constituídas por tumores malignos que se originam no esôfago, estômago, cólon, reto, canal anal, apêndice cecal, vesícula biliar/vias biliares, fígado e pâncreas. Entenda um pouco mais sobre tumores de esôfago, estômago e cólon e reto:

NEOPLASIA DE ESTÔMAGO

O que é?

* O estômago é o órgão que vem logo após o esôfago, no trajeto do alimento dentro do aparelho digestivo. Ele tem a função de armazenar por pequeno período os alimentos, para que possam ser misturados ao suco gástrico e digeridos.

* O câncer de estômago (também denominado câncer gástrico) é a doença em que células malignas surgem nos tecidos do estômago.

* Os tumores do estômago se apresentam, predominantemente, na forma de três tipos histológicos: adenocarcinoma (mais frequente, responsável por 95% dos tumores), linfomas e sarcomas.

Epidemiologia

* Cerca de 65% dos pacientes diagnosticados com câncer de estômago têm mais de 50 anos.

* No Brasil, esses tumores aparecem em terceiro lugar na incidência entre homens e em quinto lugar entre as mulheres.

Fatores de risco/

Prevenção

Fatores de risco

* Dietas ricas em alimentos salgados, defumados, mal-conservados, pobre em frutas e verduras.

* Helicobacter pylory (aumenta em cerca de três vezes o risco).

* A maioria dos adenocarcinomas gástricos são esporádicos, ou seja, não têm evidência de relação com hereditariedade ou síndromes genéticas de alto risco.

Prevenção:

* Seguir dieta balanceada, composta de vegetais crus, frutas cítricas e alimentos ricos em fibras, desde a infância.

* Além disso, é importante o combate ao tabagismo.

Rastreamento

* O rastreamento do câncer gástrico não é recomendado de maneira rotineira no Brasil.

Sintomas

* Não há sintomas específicos do câncer de estômago. Porém, podem surgir sinais como: perda de peso e de apetite, fadiga, sensação de estômago cheio, vômitos, náuseas, desconforto abdominal persistente e sangramentos. Esses sintomas podem indicar tanto uma doença benigna (úlcera, gastrite, etc.) quanto maligna (tumor de estômago).

* Grande parte dos casos de câncer de estômago é diagnosticada em estágio avançado porque não há sintomas específicos, principalmente nas fases iniciais.

Diagnóstico

* O método mais eficiente é a endoscopia digestiva alta (EDA), que permite a avaliação visual da lesão e a realização de biópsias.

* EDA: nesse exame, um tubo flexível de fibra ótica ou uma microcâmera é introduzida pela boca e conduzida até o estômago. O exame é realizado sob sedação e com anestesia da garganta, para diminuir o desconforto. 

NEOPLASIA DE CÓLON E RETO

O que é?

* O câncer colorretal abrange tumores que acometem um segmento do intestino grosso, o cólon e o reto.

* Nos EUA, aproximadamente 70% dos tumores se originam no cólon, e 30% no reto.

Epidemiologia

* É o terceiro tumor mais frequente no mundo.

* No Brasil, esses tumores aparecem em quarto lugar na incidência entre homens e em terceiro entre as mulheres.

Fatores de risco/

Prevenção

Fatores de risco

* Idade acima de 50 anos.

* História familiar de câncer colorretal, história pessoal da doença (já ter tido câncer de ovário, útero ou mama).

* Doenças inflamatórias do intestino, como retocolite ulcerativa crônica e doença de Crohn.

* Doenças hereditárias, como polipose adenomatosa familiar (FAP) e câncer colorretal hereditário sem polipose (HNPCC).

* Fatores ambientais, a maioria relacionados à dieta (dieta calórica, rica em gordura animal ou carnes vermelhas e pobre em fibras, frutas e verduras) está associada ao aumento de risco. Baixo consumo de cálcio. Obesidade. Sedentarismo. Consumo de álcool.

* Alguns estudos epidemiológicos sugerem que o uso crônico de cálcio, anti- inflamatórios não hormonais e estrógeno reduzem o risco de adenoma ou de câncer colorretal.

Prevenção

* Detecção e a remoção dos pólipos antes de eles se tornarem malignos.

* Dieta saudável.

* Uso de aspirina.

Rastreamento

* O Instituto Nacional do Câncer (INCA) recomenda que indivíduos com mais de 50 anos sejam submetidos à pesquisa de sangue oculto nas fezes uma vez por ano, e que pessoas com exame positivo sejam submetidas à colonoscopia.

* Para indivíduos com histórico familiar ou pessoal de câncer colorretal ou para portadores de retocolite ulcerativa, doença de Crohn, FAP ou síndrome de Lynch, o INCA recomenda procurar orientação médica.

Sintomas

* Mudança no hábito intestinal (diarreia ou prisão de ventre).

* Desconforto abdominal com gases ou cólicas.

* Sangramento nas fezes, sangramento anal e sensação de que o intestino não se esvaziou após a evacuação.
* Também pode ocorrer perda de peso sem razão aparente, cansaço, fezes de cor escura, náuseas, vômitos e sensação dolorida na região anal.

* Diante desses sintomas, procure orientação médica. A presença deles pode significar ou não câncer.

Diagnóstico

O diagnóstico requer biópsia (exame de fragmento de tecido retirado da lesão suspeita). A retirada do fragmento é feita por meio de aparelho introduzido pelo reto (endoscópio).

NEOPLASIA DE ESÔFAGO

O que é?

* O esôfago conduz alimentos da garganta para o estômago.

* Os tumores do esôfago se apresentam, predominantemente, na forma de dois tipos histológicos: carcinoma epidermóide (se originam de células do tipo epitelial) e o adenocarcinoma (originam-se de células glandulares).

Epidemiologia

* É o oitavo tumor mais frequente no mundo.

* No Brasil, esses tumores aparecem em sexto lugar na incidência entre homens e em nono entre as mulheres.

* Mais frequente nos homens brancos, em idade mais avançada.

Fatores de risco/

Prevenção

Fatores de risco

* Grande parte destes tumores são considerados esporádicos (sem história familiar ou evidência de síndromes genéticas de alto risco).

* Dieta pobre em frutas e verduras.

* Tabagismo e etilismo.

* Histórias de outros tumores como pulmão e cabeça/pescoço.

* Esôfago de Barrett (crescimento anormal de células do tipo colunar para dentro do esôfago) e doença do refluxo gastroesofágico.

* Outras doenças como: tilose (espessamento da pele nas palmas das mãos e na planta dos pés), acalasia (falta de relaxamento do esfíncter entre o esôfago e o estômago), esôfago de Barrett lesões cáusticas (queimaduras) no esôfago.

Prevenção

* É importante adotar dieta rica em frutas e legumes.

* Evitar o consumo frequente de bebidas muito quentes, alimentos defumados, bebidas alcoólicas e derivados do tabaco.

Rastreamento

* O rastreamento do câncer de esôfago não é recomendado de maneira rotineira.

* Pessoas com fatores de risco para esta neoplasia devem procurar o seu médico regularmente para revisão e avaliar a necessidade de realização de exames.

Sintomas

* Na fase inicial, o câncer de esôfago não apresenta sinais. Porém, com a progressão da doença, alguns sintomas podem surgir: dificuldade ou dor ao engolir, dor retroesternal (atrás do osso do meio do peito), dor torácica, sensação de obstrução à passagem do alimento, náuseas, vômitos e perda do apetite e do peso.

Diagnóstico

* É feito através da endoscopia digestiva (com biópsia).

Obs.: biópsia é a retirada de um pequeno pedaço do local. O material retirado é examinado por um médico patologista, que avalia se existem alterações e se estas estão relacionadas a lesões malignas (câncer) ou benignas.

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