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23-06-2009

Dra. Alessandra Notari : A Pesquisa Clínica como uma forma de tratamento.

Em um artigo publicado, recentemente, em uma das mais importantes revistas científicas na área de Oncologia - Journal of Clinical Oncology, Dr Richard L. Achilsky, Presidente da Sociedade Americana de Oncologia Clínica escreveu sobre os maiores avanços da pesquisa no tratamento e prevenção do câncer.

Dr. Richard relembrou a iniciativa do presidente dos EUA Richard Nixon, que há 40 anos estimulou o investimento nacional na pesquisa clínica em Oncologia. Tal iniciativa alavancou os avanços tanto no tratamento como na prevenção. Estima-se que como resultado 2/3 das pessoas diagnosticadas com câncer hoje estejam vivas em 5 anos, comparado com metade disso na década de 70.

Hoje conhecemos muito mais sobre a biologia molecular de determinados tipos de tumores, entendemos os caminhos que levam a carcinogênese e ao crescimento e disseminação das células malignas. O tratamento tornou-se mais individualizado, de acordo com as características tumorais de cada indivíduo é possível traçar um perfil de seu prognóstico, ou seja, da agressividade de sua doença e riscos de recidiva.

Apesar disso, alguns tumores persistem resistentes aos tratamentos existentes e, cada vez mais, novas medicações são estudadas buscando vencer eventuais mecanismos de resistência ou novas formas mais especificadas/ focadas de atingir as células tumorais.

Na tentativa de transformar as novas descobertas de biologia molecular em melhores tratamentos, surgem os estudos clínicos com novas medicações, que possibilitam o acesso às drogas novas e promissoras, antes mesmo que estas estejam disponíveis comercialmente.

Infelizmente, na nossa prática diária, o acesso aos estudos clínicos ainda é restrito. Poucos centros no Brasil oferecem aos pacientes oncológicos a oportunidade de tratamento, através da participação em protocolos de pesquisa, assim como muitos pacientes desconhecem a existência de tratamento através de estudos clínicos.

O próprio Dr. Richard refere que, mesmo nos EUA, muitas pessoas demoram a ter acesso às novas drogas já aprovadas para uso comercial, assim como apenas cerca de 5 % da população tem acesso aos estudos clínicos. Enfatiza a importância de políticas de investimento em pesquisa, a quebra de barreiras e cita os maiores avanços em pesquisa clínica no último ano.

Um exemplo dos avanços mais significativos na medicina personalizada foi no tratamento do câncer de cólon com o estudo do status do gene KRAS. Um time de investigadores do mundo inteiro descobriu que em pacientes com câncer de cólon avançado e que apresentam o gene KRAS normal (ou selvagem) é benéfico adicionar à quimioterapia padrão o tratamento com um anticorpo monoclonal específico, mas o mesmo não é verdadeiro quando este gene apresenta alguma mutação. Esta descoberta ajuda a guiar o tratamento de cada paciente, aumentando a eficácia em casos selecionados e evitando a toxicidade desnecessária naqueles pacientes que não se beneficiariam do tratamento.

No tratamento do melanoma em estágio III com Interferon Peguilado, também foi finalmente demonstrado que o uso do Interferon  reduz  em 18% o risco de recidiva quando comparado aos pacientes que apenas realizaram a cirurgia.

No caso do câncer de mama, vários estudos sugerem que prolongar o uso de hormonioterapia por mais de 05 anos pode reduzir o risco de recorrência, ao contrário do que se estimava como sendo 05 anos o ideal. Durante o último ano, o FDA aprovou o uso de um inibidor da angiogênese para o uso em casos de doença avançada em combinação com quimioterapia e também um novo agente citotóxico da família das epotilonas para uso no caso de doença avançado e resistente aos quimioterápicos da família dos taxanos.

Estes exemplos de avanços na pesquisa clínica oncológica são apenas alguns entre vários outros em diferentes patologias. Numerosas outras drogas com diferentes mecanismos de ação e indicações estão ainda na fase de estudo no mundo inteiro, atualmente.

A participação em protocolos de pesquisa possibilita o acesso a diferentes opções terapêuticas e passa a ser uma nova forma de tratamento cada vez mais reconhecida e indicada pelos oncologistas.

Para saber mais converse com seu médico e informe-se!        

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