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04-11-2008

Dr. João Wilney: Desnutrição e Câncer

 

             A incidência de desnutrição nos pacientes que apresentam câncer pode chegar até 85% dependendo do estágio e do tipo de doença. A perda ponderal é associada com redução da resposta ao tratamento oncológico, reduz a resposta imunológica, diminui a qualidade de vida e aumenta as complicações do tratamento contra o câncer, seja quimioterapia, radioterapia ou cirurgia.     A incidência de desnutrição é menor (31 a 40%) nos pacientes com câncer de mama, sarcomas e neoplasias hematológicas, é intermediária (54 a 64%) nos portadores de câncer de cólon, próstata e pulmão e tem seu nível mais elevado nas pessoas acometidas de câncer de estômago e pâncreas.

            Dessa forma é necessário que o paciente em tratamento oncológico receba avaliação nutricional para identificar seu estado e seu risco nutricional. Ou seja, devem-se identificar aqueles pacientes em que o estado nutricional aumenta as chances de complicações e, quando uma intervenção pode abrandar os riscos. A avaliação e o risco nutricional podem ser quantificados de variadas maneiras através de questionários ou de medidas antropométricas.

Os métodos de avaliação nutricional apresentam em comum a medida do peso atual, sua relação com a altura (Índice de Massa Corporal - IMC), a variação do peso em relação ao peso atual e a quantificação da ingestão dietética. Assim sendo, pessoas que apresentam perda ponderal acima de 10% do seu peso usual nos últimos seis meses, apresentam redução da quantidade ou da consistência da dieta nas duas últimas semanas, ou mesmo apresentam IMC abaixo do normal, podem estar desnutridas e necessitam ser submetidas a uma avaliação nutricional completa.

A própria doença, em geral, induz a um gasto energético acima do normal e tem efeitos que comprometem a ingestão. Não é raro que pacientes portadores de câncer apresentem alterações do paladar, anorexia, diarréia, vômitos e por vezes obstrução do trato digestório. O próprio tratamento oncológico, seja quimio ou radioterapia, também pode agravar sintomas tais como vômitos, diarréia, anorexia, alterações do paladar e dor para deglutir os alimentos. 

            Aos pacientes que se apresentam desnutridos ou em risco nutricional, podem ser ofertadas várias formas de terapia nutricional. Dependendo do estado nutricional, do estágio da doença e em quanto tempo é esperada a recuperação da adequada ingestão oral, podem ser indicados orientação de dieta oral, suplementos nutricionais, alimentação enteral através de sondas ou mesmo nutrição parenteral, através de cateteres intravenosos.

            A melhor opção para cada momento de cada pessoa depende de uma adequada avaliação e essa deve ser realizada por profissional, médico e nutricionista, especializados na área.

            O melhor remédio é sempre a prevenção e, do ponto de vista nutricional, uma alimentação saudável, rica em fibras, evitando álcool, excesso de gorduras e de carnes vermelhas, laticínios ricos em gorduras e controlando a obesidade é sempre recomendável.

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