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13-05-2008

Dr. Jeferson Vinholes: Atividade física previne câncer de mama

Foi realizado em San Antonio, no Texas (EUA), de 13 a 16 de dezembro de 2007, o 30º Congresso de Câncer de Mama de San Antonio, o mais importante congresso específico deste tumor.
Inicialmente, há algumas informações interessantes a respeito da epidemiologia desta doença se compararmos os Estados Unidos (EUA) e o Brasil. A incidência da doença está caindo nos últimos anos, o que tem sido atribuído à redução da terapia de reposição hormonal, que foi indiscriminadamente difundida por muitos anos. Evidências recentes mostraram que esta reposição hormonal, se usada por mais de cinco anos, aumenta a chance da mulher desenvolver o câncer de mama. A reposição hormonal também pode aumentar a densidade mamária, dificultando a interpretação da mamografia. Além disto, nos EUA, o câncer ultrapassou as doenças cardiovasculares, sendo hoje a principal causa de óbito entre todas as doenças. No Brasil, isto ainda não aconteceu, mas deverá acontecer nos próximos 10-15 anos.
A mortalidade pelo câncer de mama está se reduzindo nos EUA e na Inglaterra. Em oposição, no Brasil, inclusive, no Rio Grande do Sul, a mortalidade está aumentando. Os fatores responsáveis por esta estatística ainda não são claros, mas a falta de preocupação com a prevenção em saúde, o índice reduzido de screening pela mamografia no nosso meio e a demora na acessibilidade ao sistema de saúde certamente estão entre eles.
Uma das mais importantes apresentações realizadas no congresso foi a da Dra. Leslie Bernstein, do City of Hope Comprehensive Cancer Center, localizado no sul da Califórnia. Ela dedicou a sua vida à pesquisa da interação do exercício físico com o câncer de mama. Inclusive o seu passado de nadadora profissional foi um incentivo para a escolha desta linha de pesquisa. O primeiro resultado interessante foi que, em um grupo de 545 mulheres que realizaram exercícios físicos regularmente, pelo menos três horas por semana, desde a adolescência até os 40 anos, houve menor chance significativa de desenvolver este tumor que um grupo-controle de mulheres sedentárias. Entretanto, se a mulher ganhou mais de 17% de peso durante este período, o efeito benéfico do exercício é reduzido significativamente. Estes resultados são importantíssimos, pois oferecem uma excelente oportunidade para a prevenção primária do câncer de mama, isto é, antes dele se desenvolver. Os métodos que dispomos hoje em dia, como a mamografia e ecografia mamária, apenas permitem um diagnóstico precoce.
Em um outro estudo, que envolveu mais de 130 mil professoras da Califórnia, foi avaliada a relação entre o exercício físico durante toda a vida e a mortalidade por este tumor. Os dados deste estudo são preliminares, mas os resultados indicam que mulhe-res que se exercitaram regularmente, têm menor chance de mortalidade se vierem a desenvol-ver tumor de mama. Outros dados são trazidos por um outro grande estudo ameri-cano, o Nurses Health Study, que acompanhou os índices de saúde de milhares de enfermeiras ao longo do tempo. As enfermeiras que se exercitaram regularmente depois do diagnóstico do câncer de mama apresentaram significativamente menor mortalidade.
Estes resultados certamente colocam nas manchetes a importância do exame físico, o qual agora não é apenas importante para o coração. Os exercícios físicos, principalmente os aeróbicos, são importantes para a prevençâo do tumor de mama e, além disto, podem ser também importantes como forma de auxílio no tratamento do câncer de mama.
Outra linha de investigadores está estudando a relação entre a obesidade e o câncer de mama. Mulheres com índice de massa corporal acima de 25 e mulheres obesas têm maior risco de desenvolver esta doença. Outra evidência interessante foi a de mulheres que têm alta ingestão calórica, mesmo sem terem sobrepeso. Elas também apresentam um risco aumentado de câncer de mama. Um outro estudo relacionou a obesidade (índice de massa corporal acima de 30) e a chance de recidiva tumoral. As mulheres obesas apresentaram maior chance de recidiva da doença.
Trazer ao conhecimento público o resultado destes estudos é o compromisso que assumimos com todas as mulheres que poderão ter a chance de diminuir a incidência e a mortalidade ocasionada pelo câncer de mama.

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