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04-10-2007

Dr. Ernesto Guedes: Precisão no diagnóstico dos tumores de ovário

Os tumores secundários de ovário ou metástases de ovário têm uma incidência extremamente variada. Apesar de representarem de 6% a 27,8% dos tumores malignos de ovário, a sua importância está no diagnóstico diferencial entre tumor primário e metastático, pois é fundamental o diagnóstico correto para o planejamento da terapia proposta. Um dado importante a ser ressaltado é que o trato gastrointestinal (TGI) e a mama são os sítios de tumores primários mais freqüentes com metástases ovarianas. A mama, sozinha, é responsável por 31% dos casos. Mas os tumores do TGI com metástase para o ovário são muitas vezes confundidos com os tumores de Krukenberg, caracterizado por neoplasia ovariana secundária a um tumor do trato gastrointestinal, freqüentemente bilateral, volumoso e assintomático. Afeta geralmente mulheres na quarta década de vida, correspondendo a 1%-5% de todos os tumores ovarianos.Em um estudo com 41 casos de metástases em ovário (foram excluídos seis casos, por dados incompletos nos prontuários médicos) de 1982 a 1992, todas as lâminas e prontuários dos casos selecionados foram revisados e somente as lesões confirmadas como metástases verdadeiras foram incluídas no estudo. Seis casos de metástases por carcinoma de mama, achados acidentalmente durante a ooforectomia (retirada do ovário) terapêutica, foram incluídos no estudo, mesmo quando as pacientes não apresentavam lesões clinicamente aparentes. O diagnóstico diferencial entre tumor primário e metastático é um desafio para os mais experientes cirurgiões e patologistas. Na maioria dos casos, as lesões metastáticas são fenômenos secundários da doença disseminada, entretanto, existem situações nas quais as metástases podem ser confundidas com os tumores primários de ovário. O tipo histológico mais comum dentre as metástases no ovário é o adenocarcinoma (91,9%), seguido do epidermóide 2,5% e os demais tipos (5,6%). Nestes estão incluídos os sarcomas, melanomas e outros. O intervalo de tempo entre o diagnóstico do tumor primário de mama e a metástase de ovário varia conforme o motivo pelo qual o ovário foi examinado, isto é, quando na terapia do carcinoma de mama inclui-se a ooforectomia bilateral terapêutica, cerca de 1/3 das metástases serão encontradas no intervalo de um ano; quando a proposta terapêutica prevê a ooforectomia somente nos casos clinicamente comprovados, este índice cai para 10%. Em 60% das pacientes, as metástases se tornarão evidentes no intervalo de um a oito anos e, nas 30% restantes, após os nove anos do diagnóstico do tumor primário. Embora a importância clínica das metástases em ovário pareçam não representar muito, visto a sua pouca freqüência, devemos considerar que o diagnóstico diferencial correto entre o tumor primário e o metastático é essencial não somente para o estadiamento clínico da doença, mas principalmente para a adequada proposta terapêutica. E mesmo tratando-se de tumor secundário de ovário, não podemos desconsiderar que a terapias radicais: cirurgia, quimioterapia e radioterapia associadas são os únicos meios de oferecermos melhor  qualidade de vida e tempo de sobrevida para estas pacientes.

 

 

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