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27-12-2010

Cristiano Oliveira - Centro Psico-Oncologia: O Mudar da Mudança

Como uma onda no mar...

Final de ano, época de retrospectivas, reflexões, projetos e mudanças. Nesse ambiente fértil, escrevemos sobre ela: a "Mudança".

Segundo os dicionários, "Mudar" pode significar: remover, pôr em outro lugar, deslocar, alterar, modificar, transformar, converter, trocar, substituir.  Já a "mudança" seria o ato ou efeito de mudar. Então, de posse do significado etimológico vamos falar sobre ela.

Heráclito de Éfeso, célebre filósofo pré-socrático lá pelo século V a. C. refletindo acerca da mudança concluía dizendo que a única certeza é a da eterna mudança. Usando dessa lúcida afirmação, se tudo muda, porque nós, enquanto seres pensantes, temos tanta resistência em aceitar e buscar as mudanças nas distintas esferas de nossas vidas?

Pensando nisso, Sigmund Freud (1916) escreve sobre a transitoriedade dizendo que a importância de tudo que muda e acaba está associada à questão da falta de tempo e que essa restrição temporal estaria relacionada ao valor de algo. Habitualmente, valorizamos aquilo que perdermos em função do tempo. Quantas vezes o antes era melhor do que o hoje, ou seja, o passado era melhor do que o presente, de tal forma que quando o presente se torna passado é que conseguimos, muitas vezes, visualizar sua beleza e complexidade em extensão. A limitação é que valoriza aquilo que amamos e admiramos e quando renunciamos ao prazer de algo pelo fato de ser transitório, não duradouro, segundo Freud, isso nos deixa em luto pela perda.  Nos desígnios da mudança, há dois caminhos sugeridos, ou lamentamos a mudança, ou consolidamos o presente conscientes de sua transitoriedade.

O que nos cabe então?  As mudanças sendo certeza em nossas vidas, a nós cabe enfrentar a angústia do transitório, admirar o momento e a sua beleza, pois tudo se modifica sempre.  Mas e quando a mudança não é boa e é marcada pela incerteza do amanhã? Há que se ter nesse caso estratégias de enfrentamento, o que em Psicologia chamamos de Coping, a qual cada sujeito, desenvolve as suas, frente às realidades subjetivas de sua vida.

Por fim, o mudar da mudança, independente do infortúnio que se apresentar, está na liberdade inalienável do ser humano de se posicionar frente às adversidades da vida, podendo tornar o feio, belo e o momento ruim pode se tornar o grande momento de nossas vidas.  Da Filosofia à Psicanálise chegamos a Lulu Santos e Nelson Mota e concluímos esse breve texto com a dica de como enfrentar a Mudança brilhantemente expressa na letra da canção abaixo:

Como Uma Onda

Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará

A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito

Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo

Não adianta fugir
Nem mentir
Pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre

Como uma onda no mar...

Desejamos um 2011 de consolidação de mudanças positivas e prazerosas a todos.

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