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14-05-2010

Cristiane Bueno - nutricionista CliniOnco: Nutrição pré-operatória em cirurgias do trato digestivo

 

O paciente submetido à cirurgia sofre alterações metabólicas e fisiológicas que comprometem o seu estado nutricional. Assim sendo, o estado nutricional prévio à cirurgia é de extrema importância porque irá condicionar a resposta, relativamente à reversão catabólica própria do trauma cirúrgico, cicatrização e prevenção de complicações frequentes como a infecção. Os pacientes desnutridos no pré-operatório têm um risco mais elevado de complicações e mortalidade, comparativamente aos pacientes com bom estado nutricional.

A desnutrição é um problema comum à maioria dos pacientes oncológicos submetidos à cirurgia. Cerca de 50% apresenta perda de peso no diagnóstico, permitindo que ocorra uma diminuição da resposta ao tratamento cirúrgico. Este risco torna-se evidente e fisiologicamente explicado uma vez que o estado nutricional deficitário compromete o normal funcionamento de diversos órgãos, nomeadamente, coração, pulmões, rins e aparelho digestivo. A função imune e a força muscular também se encontram alteradas, o que torna estes pacientes mais vulneráveis a complicações infecciosas e a cicatrização mais lenta.

O tratamento cirúrgico das lesões malignas, principalmente do trato digestório, pode levar a consequências nutricionais que são dependentes da localização do tumor, da extensão da ressecção e das complicações inerentes ao ato/técnica cirúrgica, como por exemplo, fístulas digestivas. No preparo de cirurgias do trato digestivo, o paciente é submetido ao preparo de cólon e a um regime alimentar com dietas restritivas de baixo aporte calórico-proteico. A complicação cirúrgica quando presente pode contribuir para uma depleção do estado nutricional no paciente oncológico.

 Dentre as complicações que necessitam de um acompanhamento nutricional adequado, pode-se citar a dificuldade mecânica na mastigação e deglutição das grandes ressecções de área da orofaringe; na esofagectomia pode-se observar diarreia, saciedade precoce e regurgitação; nas gastrectomias há perda do reservatório promovendo a saciedade precoce, má-absorção, deficiência de vitamina B 12, síndrome de dumping, hipoglicemia; nas ressecções intestinais de um modo geral, pode ocorrer diminuição na eficiência de absorção de nutrientes; diarreia, má-absorção de nutrientes e desidratação; nas ileostomias e colostomias perdas hídricas e complicações no balanço hidroeletrolíticos podem estar presentes e nas cirurgias de pâncreas como nas pancreatectomias a má-absorção como diabetes melitus podem aparecer.

Com isso, a preocupação com o estado nutricional não deve se extingir após a alta hospitalar, sendo necessário adequar a dieta às novas condições do trato digestório impostas pela intervenção cirúrgica.

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