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04-08-2011

Conexão de saberes em evento da CliniOnco

por Eduardo Wolff - Usina de Notícias
15/06/2011

      O Simpósio Internacional do Câncer do Aparelho Digestivo (SICAD) e o Simpósio de Tratamento Integrado do Câncer, eventos paralelos, realizados nos dias 7, 8 e 9 de abril, trouxeram a Porto Alegre o que há de mais novo no tratamento das doenças oncológicas. O grande legado do evento foi a conexão de saberes.  Os simpósios contaram com convidados nacionais e internacionais. Entre os internacionais, estão: Gianfranco Delle Fave (Itália), Paul Mansfield (Estados Unidos), Caio Rocha Lima (Estados Unidos) e Oscar Andriani (Argentina).
      Na abertura dos simpósios, o médico Jeferson Vinholes, diretor da CliniOnco, promotora do evento, destacou a necessidade de a oncologia seguir o exemplo de integração apresentado por outras áreas. "O trabalho multidisciplinar é fundamental. Os diferentes campos devem atuar juntos em cada caso", sublinhou.
A filosofia da CliniOnco, que tem um compromisso com o tratamento integrado do câncer, permeou a programação. Especialistas em diferentes áreas foram chamados a dar sua contribuição com o tema, em um diálogo profícuo, que garantiu crescimento profissional e alargamento de horizontes de conhecimento para todos os participantes.
       Vinholes destacou que, nos Estados Unidos, a mortalidade por câncer ultrapassou as doenças coronarianas. De acordo com ele, isso deve acontecer no Brasil em alguns anos. Ainda nos EUA, é alarmante o aumento de casos de câncer de pulmão em mulheres, em decorrência do tabagismo.
No Brasil, aumentou, nos últimos anos, a incidência de todos os tipos de câncer. "Obviamente, isso também é reflexo da melhor coleta de dados. De toda forma, precisamos ficar alertas para esses resultados. Com o aumento da expectativa de vida que estamos assistindo, certamente cresce a incidência de câncer na população", destaca.
       Nos Estados Unidos, os tipos de câncer que apresentam maior incidência são: sistema digestivo, pulmão, mama e próstata, nesta ordem. No Brasil: sistema digestivo, próstata, mama e pulmão.
As atividades do Simpósio de Tratamento Integrado do Câncer iniciaram no segundo dia. Abrindo este evento, a diretora Assistencial e Marketing da CliniOnco, Sandra Rodrigues, destacou a importância do trabalho em equipe para o planejamento e organização deste simpósio. Salientou  também que a interação dos saberes multidisciplinares devem permear todas as ações de quem cuida do pacientes oncológico.  Além disso, realizou a leitura de passagens do livro Câncer: Vidas Ressignificadas, que conta com relatos de pacientes que passaram pelo tratamento do câncer. A diretora deixou a seguinte mensagem: "As equipes necessitam entender as particularidades e as nuances de cada pacientes. É preciso transitar por todas as etapas que ele e sua família passam". O grande desafio é conhecer-se como equipe, trabalhar de forma integrada e transcender o conhecimento individual, conclui.
       Com o tema "Transdisciplinaridade em Oncologia: superando as fronteiras do conhecimento individual", a psicóloga clínica Rita de Cássia Macieira, de São Paulo, abordou a evolução dos cuidados oncológicos - desde o período em que religiosos cuidavam dos pacientes até os mitos e os preconceitos nas terapias da atualidade. A psicóloga defendeu a multiabordagem, com a participação de pedagogos, psicólogos, nutricionistas, por exemplo, até os responsáveis pela higienização. "Muitas vezes, o paciente se identifica com quem é da mesma religião, cidade, logo todos da equipe são importantes", comenta.
         Na mesa redonda "Primeiro encontro com a Equipe: como construir vínculos e facilitar a adesão ao tratamento", a psicóloga da CliniOnco, Carla Mannino enfatizou as particularidades tratadas pela psico-oncologia. Ressaltou as fragilidades enfrentadas pelo paciente desde o momento do diagnóstico até o término do tratamento e quanto é importante o vínculo com a equipe na superação destas.
No segundo dia do SICAD, as neoplasias de esôfago, estômago, pâncreas, vias biliares, tumores neuroendócrinos e hepatocarcinomas foram os temas focados.
        Cirurgia, ablação ou quimioem-bolização no Hepatocarcinoma  foi o assunto tratado pelo palestrante Oscar Andriani, da Argentina que abordou, entre outros assuntos, as estratégias de ressecção de tumores. Segundo Andriani, o tamanho não é uma contra-indicação para a técnica de ressecção. O médico também relatou a experiência com êxito de um programa, iniciado em 2002 em seu país, com transplante de doadores vivos. Houve um número bastante importante de sobrevivência destes pacientes, afirma ele.
O médico oncologista Caio Rocha Lima, que trabalha na Flórida, nos Estados Unidos, falou sobre o tema: Transformando tumores irressecáveis do pâncreas em neoplasias ressecáveis com quimio e radioterapia, além disso, palestrou num segundo momento sobre a transformação de metástases hepáticas irressecáveis em ressecáveis com o tratamento sistêmico em pacientes k-ras mutado, trazendo informações importantes para os participantes.
         Paul Mansfield, oncologista do Department of Surgical Oncology, no Texas, EUA, falou sobre a terapêutica do câncer da junção esôfago-gástrica. Neoadjuvância ou cirurgia?". As conclusões dos estudos realizados foram de que a terapia neoadjuvante é uma solução positiva para o tratamento desta patologia, além da indicação da quimioradioterapia ser mais eficaz que apenas a radioterapia.
O oncologista italiano Gianfranco Delle Fave enriqueceu o evento falando sobre os avanços na biologia  no tratamento dos Tumores Neuroendócrinos.
         No terceiro e último dia, o assunto principal foi neoplasias de cólon e reto. O médico geneticista Osvaldo Artigalas salientou que o principal fator de risco para estas patologias é o histórico familiar de câncer colo retal. Outro médico a falar sobre este tema foi o médico carioca Roberto de Almeida Gil abordando as novidades da adjuvancia do câncer colo retal.
        No Simpósio de Tratamento Integrado do Câncer, a abordagem dos temas sobre espiritualidade, terminalidade e cuidados paliativos, mostrou toda a sensibilidade, conhecimento e experiência dos palestrantes  que falaram sobre o assunto. O  médico geriatra Franklin Santana Santos ao abordar a "Terminalidade: educação do paciente, cuidadores e equipe", defendeu a necessidade dos profissionais da saúde serem capacitados nas universidades sobre a educação para a morte.  Segundo ele, ainda existem mecanismos de defesas dos profissionais da área que demonstram negação, racionalização e isolamento de emoções em relação ao assunto. Os principais medos demonstrados , seja pelos pacientes ou pelos cuidadores é a dor e a perda da autonomia.
       Na última palestra deste Simpósio, o diretor da faculdade de Filosofia da Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul (PUCRS), Luciano Marques de Jesus, foi o conferencista, com a abordagem "Será que existe alguém ou algum motivo importante que justifique a vida pelo menos nesse instante?". Foi destacada a Logoterapia, um sistema teórico e prático de psicologia, criado pelo psiquiatra austríaco Viktor Frankl, autor do livro "Em busca do sentido". Nesta obra, são narradas histórias do autor no campo de concentração de Auschwitz, durante a Segunda Guerra Mundial. Frankl conta da apatia em relação à morte, situações adversas, as humilhações dos capatazes, entre outros temas. Com a Logoterapia, o psiquiatra aponta a busca de valer à pena viver, além do grande desafio de saber equilibrar as possibilidades e as necessidades para ter uma vida mais feliz.
          A contribuição dos palestrantes e conferencistas neste simpósio foi, sem dúvida, extremamente valiosa a todos os participantes. As novidades apresentadas foram desde os últimos estudos científicos na área da oncologia até as experiências significativas de equipes e profissionais que tratam do tema considerando os aspectos biopsicossociais e espirituais do paciente com câncer.

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