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30-01-2009

Caroline Donini e Greice Verzea: Dor - uma abordagem multidisciplinar

A dor é um sinal de alerta que ajuda a proteger o corpo de danos nos tecidos. Cada indivíduo aprende o significado da palavra dor através de experiências vivenciadas nos primeiros anos de vida. O conceito de dor, hoje mundialmente usado, é o da Associação Internacional de Estudos da Dor (IASP), a qual afirma que "a dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável, associada ao dano presente ou potencial, ou descrita em termos de tal dano". "Dor é sempre subjetiva e pessoal".

A dor pode ser classificada em Aguda, ou seja, de início súbito relacionado às afecções traumáticas, infecciosas ou inflamatórias. Respondem, rapidamente, às intervenções na causa e não costumam ser recorrentes. A dor Crônica, por sua vez, não é apenas o prolongamento da dor aguda, é a que persiste por processos patológicos crônicos, de forma contínua ou recorrente, com respostas emocionais de ansiedade e depressão freqüentes.

Na década de 1960, a médica inglesa Cecily Saunders acrescentou ao conhecimento da dor o conceito de "Dor Total", através do qual admite que uma pessoa sofre não apenas pelos danos físicos que possui, mas também pelas conseqüências emocionais, sociais e espirituais.

Portanto, admitir a importância do alívio da dor desde o início do tratamento de uma doença até as últimas horas de vida é condição fundamental para aqueles que trabalham com doentes em qualquer especialidade. O conhecimento, dos meios pelos quais a dor pode ser controlada, deve fazer parte da formação obrigatória de todos os profissionais da área de saúde.

Saunders, estabeleceu a importância de uma abordagem multidisciplinar e da presença de uma equipe multiprofissional para se obter o máximo sucesso nos tratamentos propostos. Segunda a autora, a abordagem que se faz da dor, atualmente, é que ela é um fenômeno ‘biopsicossocial' que resulta de uma combinação de fatores biológicos, psicológicos, comportamentais, sociais e culturais e não uma entidade dicotômica.

A Clinionco entendendo a importância da assitência da equipe multidisciplinar ao paciente com dor e sabendo que um número significativo destes pacientes apresenta dor oncológica de grau moderado a severo, passou a desenvolver um programa de controle dos sintomas da dor. Este programa envolve a educação continuada da equipe, aplicação da escala analógica da dor, protocolos de analgesia, assistência psicológica e encaminhamento dos pacientes a serviços especializados de dor. A acupuntura, recentemente incorporada ao serviço, é mais uma alternativa de tratamento para o alívio da dor entre outros benefícios.

Acreditamos que a atualização e o aperfeiçoamento contínuo dos profissionais é fator determinante para desfazer mitos e realizar um adequado manejo da dor, otimizando os recursos disponíveis ao serviço.

Sabemos que tratar a dor não é só sublime e humanitário, mas essencial para que se estabeleça uma relação de confiança entre o paciente, sua família e a equipe.

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