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01-10-2010

Por que eu? O ser humano, sua dimensão espiritual e o sentido da vida.

Carla Mannino

Psicóloga Clínica, especialista em Psico-oncologia

Por que estou aqui? O que é a vida? Por que passamos por determinadas circunstâncias? Qual o significado, o sentido da vida? Quando atingimos a maturidade ou quando vivenciamos um momento difícil tal qual o do impacto do diagnóstico de uma doença como o câncer, estas perguntas de uma forma ou de outra acabam por vir. Paralela a essa questão observa-se cada vez mais evidências de que o ser humano é formado por várias dimensões. Além da física, a dimensão social, a emocional e a espiritual. Essa última vem ganhando destaque ao longo dos últimos anos vinda da necessidade do homem ser visto e tratado na sua totalidade. Além de observar e cuidar o corpo, a mente, também cuidar e investir no ser espiritual que é o que nos permite transcender a nossa existência, ultrapassar nossos sofrimentos.

 

            As adversidades da vida oferecem uma circunstância de um possível questionamento dos porquês dos fatos e de suas prováveis causas, levando-nos, impreterivelmente a uma espécie de "parada forçada" na trajetória de vida que, quase sempre é traçada por nós detalhada previamente.

            Nisso, acabamos olhando mais atentamente para nós mesmos, para nossa subjetividade, para quem, de fato, somos, nossos anseios mais remotos, para o que chamamos de nossa verdadeira essência. Mesmo que por instantes, sempre nos indagamos quanto ao porquê de nos ocorrer o que nos ocorre. Então, vêm as clássicas perguntas: Por que eu? Por que comigo?

            Infinitos são os caminhos que nos são oferecidos a fim de buscarmos alívio de nossas angústias diante desse tipo de questionamento, mas nossa dimensão espiritual constitui um dos mais saudáveis. 

            Cuidamos do corpo, da nossa vida social, das trocas, de nossa psique, da vida prática cotidiana, mas - não raramente - não nos atemos à nossa dimensão espiritual. No entanto, ela está sempre presente. Ela faz parte de nós. Sempre levando em consideração, o que é muito importante, que não estamos falando propriamente em religiosidade. Esse ser espiritual existe e é capaz de desenvolver-se mesmo sem algum dogma ou religião específica. Todos somos seres completos, portanto, todos temos o que chamamos de espírito, ou alma, ou como preferirmos nomear.

            Então, como negar ou sublimar tal aspecto de nós? Como não admitir que minha espiritualidade é parte fundamental de minha vida, especialmente em momentos delicados, em que nos sentimos fragilizados? E ainda, como não cuidar dessa dimensão?

            Para compreendermos esses questionamentos e encontramos respostas, necessitamos perguntar-nos antes de tudo: Onde está minha espiritualidade? Onde a encontro em minha vida, em meu ser?

            Como tudo em nós, cada pessoa encontra dentro de sua individualidade caminhos próprios que levam ao encontro com essas respostas, ou seja, a espiritualidade e seu exercício está sempre presente, porém em lugares diversos na vida de cada um, é algo absolutamente particular e peculiar. E é exatamente nessa constante busca que cada um de nós será capaz de, no encontro consigo, encontrar-se com algo sagrado.

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